Lembranças XIII

Lembro-me vagamente dessa passagem, pois eu era bem pequeno e ainda havia bondes em São Paulo…
Ir da Vila Mariana ao Jardim da Saúde era uma tarefa meio que demorada…
Diria que a pé, hoje, eu iria mais rápido que de ônibus àquela época…
São pouco mais de três quilômetros…
A única dificuldade era atravessar o charco onde hoje está a Avenida Ricardo Jafet…
Havia poucas passagens…
Para ônibus então, que me lembre apenas três…
A Rua Santa Cruz, a Luis Góes e a Bosque da Saúde…
Se a região alagasse, só de ônibus ou a pé…
De carro nem pensar…
Pegava-se o 115…
O ônibus que fazia o trajeto da Sé ao Jardim da Saúde, passando em frente ao colégio Arquidiocesano, bem em frente a esse monstrengo que chamam de Shopping Santa Cruz…
O 115 passava de hora em hora, seguia pela Avenida Jabaquara, entrava à esquerda na Praça da Árvore (que diz a lenda nunca existiu), descia a Avenida Bosque da Saúde, cruzava o córrego, subia a Bosque, entrava na Avenida do Cursino e pronto…
Estávamos no Jardim da Saúde…
Na beiradinha do bairro, porque os ônibus não circulavam dentro do bairro, o que até hoje não ocorre…
O Jardim da Saúde é um dos poucos bairros da São Paulo que preservam suas características dos anos 50 e 60 que não foram destruídos pela sanha predadora antropofágica dos empreendimentos imobiliários…
O trajeto inverso do ônibus era o mesmo…
Só tinha um problema…
Quando chovia, a subida, hoje suave, ao lado da Igreja Santa Terezinha era um sabão…
Para dificultar, havia os trilhos do bonde que também passavam pela Avenida Bosque… Não tinha jeito…
Passei por essa situação no mínimo duas vezes…
Na minha cabeça de criança, custava-me entender porque tínhamos de descer do ônibus, andarmos os duzentos longos metros da ladeira e voltarmos a subir…
Ainda bem que não tinha que empurrar…

Autor: Pedro Galuchi
Fonte: saopaulo minha cidade

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Eu morava na Vila Prudente quando garoto. Nos fins de semana costumava atravessar a linha do trem para ir até o Ipiranga assistir às matinês no Cine Paroquial. Ia sem nenhum tostão para pagar a entrada. Quando lá chegava eu recorria ao Padre Back para entrar no cinema. Nos finais das sessões saía faminto, parava em uma das casas na Rua do Manifesto quase esquina com a Brigadeiro Jordão para pedir um pão para me saciar. A senhora sempre solícita me preparava um pão com ovo.
Fazem mais de trinta anos que me mudei da Vila Prudente e deixei de ir ao Ipiranga, no entanto não me esqueço do Padre Back nem daquela casa em que morava a senhora que saciava minha fome com um saboroso lanche quentinho.

Autor: Manoel Oliveira da Silva

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Corria o ano de 1960, eu cursava o terceiro ano primário na Escola Professor Demosthenes Marques, era uma escola estadual num galpão de madeira, localizava-se no trecho urbano da Via Anchieta na esquina com a Rua Regino Aragão no Moinho Velho. Naquele tempo não havia semáforos na Anchieta, por isso a travessia de pedestres, principalmente dos garotos da escola, era feita pelo Guarda Castro.

Lembro-me perfeitamente daquele policial, era da “Guarda Civil”. Usava um capacete branco parecido com uma tigela, vestia luvas brancas também. Sua arma era um cassetete de borracha na cintura, seu apito ficava pendurado por um cordão trançado na parte superior do uniforme azul marinho. Nós garotos nos juntávamos em bandos na calçada e esperávamos o guarda Castro parar o trânsito de uma das mãos de direção e atravessávamos até o canteiro central, logo depois ele liberava o trânsito e fechava o outro lado da avenida. Além de “guarda de trânsito” ele cuidava da segurança da escola e do quarteirão, havia um respeito muito grande da população, chegando ao ponto de fazer “vaquinha” para lhe dar presentes no aniversário e no Natal. Ele também estudava, cursava o ginásio no período noturno na Escola Modelo que ficava bem em frente ao Demosthenes. Certo dia, creio que num sábado, eu saí um pouco mais cedo da aula, e vendo que não havia trânsito nenhum na Anchieta, atravessei sozinho, não esperei a autorização do seu Castro que estava comandando o outro lado da avenida. Santo Deus! Nunca mais esqueci, ele me encontrou no canteiro central da avenida pegou em minha orelha e me conduziu de volta até a calçada.

A dor não foi tanta, pior foi a gozação dos colegas. Eu caí na besteira de reclamar do puxão de orelhas em casa e tomei mais uma surra da minha mãe – hoje em dia certamente ele seria processado. Claro que houve evolução na cidade, o trânsito aumentou muito, e pior, a violência aumentou muito mais. Mas, naquele tempo, já distante, nós cidadãos respeitávamos as autoridades e as autoridades nos respeitavam. A escola de madeira foi demolida há muito tempo, nunca mais tivemos notícias do Guarda Castro, mas ele com certeza fez parte da minha educação como cidadão.

Autor: Laerte Russini

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O Instituto Cristóvão Colombo era uma microcosmo, um continente encravado num ponto qualquer do Ipiranga, entre a barroca – soberana, única, indisputada referência – e um seminário carlista misterioso, enovelado em ondas de roseiras, rosários e rostos de figuras tristes. Aos fundos, limitado pelos altos muros, uma terra incógnita. Como os marinheiros grafaram em suas cartas marítimas: hic sunt leonis!
Pois havia ali, perdido no quadrante localizado entre lavanderias, refeitório e cozinha, um espaço místico, habitado por duendes, coelhos, fadas, pássaros, gafanhotos e uma infinidade de pequenas e delicadas plantas que vicejavam a sombra de um arvoredo.

Abel reinava em seus domínios: cidadela fortificada de madeira, guarnecida por galinhas, porcos e cachorros, fazendo costada com o prédio dos dormitórios.
Lembro-me que certa noite, tomado pelo medo, atormentado pela solidão e ferido por um sentimento que jamais me abandonaria – a perda do calor materno – caí em um transe profundo, esvaindo-me, perdendo completamente o sentido de mim mesmo.
Havia ao lado da cama um armarinho de madeira, onde minha roupa e alguns poucos pertences – a pasta de dentes, a escova, o par de sapatos Verlon – ainda confirmavam minha existência. As coisas clamam por seu dono! E só isto me bastaria para me recobrar e aí resistir, eu e minhas pequenas propriedades. Tão cedo compreendia que a propriedade tem, ela mesma, certas propriedades…
Tinha nos bolsos da calça um carretel de linha Corrente e rapidamente, antes que me esgotasse em transes e ondas de medo, engastei a pasta de dentes no fio da linha e fiz descer pela janela esse estranho pedido de socorro. E ali fiquei, imóvel, ligado ao exterior por um tênue fio de linha Corrente, experimentando que o mundo pesava exatamente o peso de um tubo de pasta de dentes.

Lá fora os cães ladravam na noite perturbadora. Eram as feras de Abel. À porta assomava um vulto escuro, cuja silhueta se conformava pela luz tíbia que preguiçosamente lambia os ladrilhos. Quem seria? Quem me visitava na noite?
E assim adormeci, com a certeza de que enfim despertava de um pesadelo!

ASutor:Sergio Jacomino

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Minha dívida com o conde

Esta é uma personalidade que todo Ipiranga tem o dever de prestar uma homenagem.
Sua estória deveria ser contada para todas as crianças. Contadas nas escolas para que seu exemplo venha servir de inspiração e de semente de altruísmo plantada nos pequenos corações de nossos futuros adultos e, quiçá, nossos futuros governantes.
Refiro-me a figura de “Conde José Vicente de Azevedo”.

Em alguns artigos biográficos consta que José Vicente de Azevedo era nascido no interior de São Paulo, na cidade de Lorena ,no ano de 1859, órfão de pai desde os nove anos de idade, vendia nas ruas de sua cidade doces produzidos por sua mãe
Prometia a si mesmo que um dia conquistaria a posição de poder ajudar aos menos favorecidos. Predestinado conquistou e fez o que prometeu.

Aos 16 anos vem para São Paulo, forma-se em direito pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1882, eleito deputado provincial legislou de 1884 a 1885, reeleito em 1888/1889 como o deputado mais votado.

José Vicente de Azevedo adquire glebas de terra no bairro do Ipiranga destinada a construir suas obras de caridade, de ensino e obras em prol da igreja.

José Vicente de Azevedo contribui de forma evidente para o desenvolvimento do Bairro do Ipiranga.

Entre as obras, executadas no Bairro do Ipiranga destacam os que foram inauguradas entre os anos de 1895 e 1938 e que continuam atuantes até os dias de hoje:

Colégio São Francisco Xavier, Educandário da Sagrada Família, Orfanato (Hoje Instituto) Cristóvão Colombo, Clinica Infantil do Ipiranga, Hospital e Maternidade Dom Antonio Alvarenga, hoje, Associação Beneficente Nossa Senhora de Nazaré (ABENSENA), Instituto Maria Imaculada, entre outras obras.

Em reconhecimento às suas obras em prol da Igreja, da religião, da caridade e do ensino, foi agraciado pelo Papa Pio XI, com o título de Conde romano, em 1º de julho de 1935.

Minha divida de gratidão ao Conde José Vicente de Azevedo eu devo aos fatos de ter sido alimentado durante a 2ª guerra mundial com o leite recebido da Clinica Infantil do Ipiranga porque meu pai sendo militar nesta época só recebia um soldo insuficiente para alimentar a família. Ainda durante a 2ª guerra, meus irmãos mais velhos aprenderam a suas primeiras letras no Grupo Escolar Princesa Isabel, no Bosque da Saúde e onde anos depois, no período noturno, fiz parte do meu curso ginasial.

Ao Instituto Padre Chico que deu emprego a um dos meus irmãos quando ainda era adolescente propiciando a ele aprender o valor do trabalho.

Agradeço ao Conde por existir, onde hoje é a faculdade São Marcos, O Grupo Escolar São José, das saudosas senhoras Dona Laura e Dona Laís, onde conclui meu curso primário.

Agradeço ainda as felizes a Lembranças que tenho também do Orfanato Cristovão Colombo (hoje instituto) onde alem de aprender catecismo, disputávamos alegres “peladas” com os padres nossos mentores e amigos.
Março 2008.

Autor: E.L.

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Tchibum a Lagoa Encantada

Tinha uns cinco ou seis anos quando fui pela primeira vez nadar na correnteza, que era como chamavam os garotos desse tempo, o Riacho do Ipiranga no trecho entre a Rua Santa Cruz e a (Na época) Estrada do Vergueiro.

Quando não, após a pelada no gramadinho da Rua Saioá ou no campo em frente da Fabrica de Tecidos Haddad, onde hoje é a Arno, Íamos todos nós garotos, nos refrescar nas águas frescas e límpidas da “biquinha”, uma nascente existente arredores, à direita da fábrica.

Como só acontece com as crianças, nadar para mim passou a ser um verdadeiro prazer, bastava minha mãe se distrair nos seus afazeres e lá ia eu, contra a sua vontade, para a correnteza ou para a biquinha.

Mas a biquinha ou a correnteza não eram ainda as águas dos meus sonhos. Eu desejava algo mais, uma água melhor como a água em que mergulhava o Johnny Weissmuller o “Tarzan” das minhas matines de domingo no Cine Poeirinha (Cine Monumento) ou mesmo a água de uma piscina parecida com as piscinas da Esther Williams, sonho impossível para um garoto como eu naquela época.

Maldade dos mais adultos da minha vila. Um dia falando num tom de voz baixo como para não se fazerem ouvir, mais já sendo ouvidos, contavam de uma lagoa encantada, de águas limpas e cristalinas, povoadas de peixes coloridos e mansos que comiam em nossas mãos de tão mansos que eram. Imediatamente eu mordi a isca e a todo custo queria saber onde era essa lagoa, mas eles sonegavam a informação respondendo apenas num gesto vago apontando uma direção.

_ É por ali!

“E era atrás desse – É por ali”, que eu ia procurar a tal lagoa encantada chamada de “Tchibum”

Na minha primeira incursão depois de muito andar pela Estrada do Vergueiro na direção onde poderia estar a lagoa, cheguei até o Tanque da Pólvora, um bonito lago, grande, piscoso, mas não era ali a Lagoa Encantada do tchibum.

Em outra oportunidade caminhei no sentido contrario, em direção norte até chegar a outro lago muito lindo, as sombras de muitas árvores, mas também não era a minha sonhada lagoa, era o lago do Jardim da Aclimação.

Lembro-me que sempre atrás do “É por ali” caminhei um dia inteiro para a direção Leste, outra vez para a direção Oeste sem nunca conseguir atingir os meus objetivos, que era encontrar a Lagoa Encantada do Thibum.

E sempre, iludido pela orientação dos adultos da minha vila em procurava e procurava.

Um dia me aventurei pela Rua Diogo Welshe, hoje, Avenida do Cursino, até atingir Matas do Governo, hoje o Simba Safári, sem nunca encontrar a lagoa dos meus sonhos.

Só depois de muito tempo é que comecei perceber que nenhum garoto da minha vila me acompanhava nas minhas procuras, quis saber o porque de sempre se negarem a aceitar o meus convites para ingressarem nas minhas expedições de busca.

Lógico que não aceitavam, todos sabiam do engodo dos adultos que se aproveitando da minha inocência e credulidade e da minha grande vontade de mergulhar em águas tão límpidas como só seriam as águas de uma “Lagoa Encantada” me indicavam a cada dia um novo rumo e lá ia eu enquanto eles se divertiam rindo das minhas tolices.

Muitos anos depois, talvez para aplacar as minhas vontades de criança, formei-me mergulhador autônomo, e por diversa vezes mergulhei em águas mágicas, límpidas e tranqüilas, brinquei com a tartaruga veloz e espiei pelas escotilhas das naus submersas e agora sempre acompanhado pela minha querida “Canga” e esposa .
E da minha Lagoa encantada o que restou?

Restou a experiência e o aprendizado dos caminhos percorridos. Restou a perseverança e o nunca desistir que me foi muito útil nos embates da vida.

Restou acima de tudo na criança que vivia e ainda vive em mim, a capacidade de sonhar.

E quem sonha nunca, nunca, nunca envelhece.

Obs. Uma lagoa de nome Tibum era conhecida na época, mas esta não era o objeto da minha procura.

Autor: E.L.

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Lembranças da Infância.

Estarem reunidos num mesmo local, meus pais, minhas tias e meus avos paternos e ainda mais, trocando idéias sobre os mesmos assuntos, foi para minha um acontecimento tão único, tão improvável de acontecer de novo, que eu nunca mais esqueci os assuntos comentados naquele dia numa casa de um conjunto habitacional construído pelas “Linhas Correntes” e habitado por seus funcionários, minhas tias, na Rua Atlante, uma ruazinha sem saída que se localiza na Rua do Fico, no Ipiranga.
A conversa girava em torno de acontecimentos que tiveram vez nos de 1918 e 1924 e algo de 1932.

Minha mãe lembrava em seus comentários, dos meses de outubro a dezembro de 1918 anos em que se deu uma grave epidemia de gripe, “na verdade uma pandemia, denominada Gripe Espanhola, devido à origem e foco inicial da doença ter ocorrido naquele país”

Os pais de minha mãe Olga, na época com apenas oito anos de idade, moravam na rua…….na vila seca. Lá como em outras regiões da cidade de São Paulo, contava minha mãe, famílias inteiras foram dizimadas pela gripe, as casas ficavam em silencio no abandono, depois vinha a carroça do serviço funerário recolher os corpos que eram enrolados em tecidos brancos e em seguida vinha também a carroça dos agentes de desinfecção, borrifam tudo e fechavam a casa com tabuas.

Mas na região da vila seca acontecia ainda um detalhe curioso, lembrava minha mãe, Quando aparecia o serviço funerário, havia uma verdadeira “ Troca de Defuntos” entre os vizinhos, que funcionava assim:

Se na carroça fúnebre havia alguém morto naquele dia ou até no dia anterior, essa vitima era trocada por outra vitima mais antiga e o dialogo, lembra minha mãe era mais ou menos assim.

– Qual o defunto mais recente? Esse moço que via ai, quando morreu?

– Morreu ainda hoje pela manhã.

– Então o deixa com a gente e leva meu tio que já morreu a mais de três dias.

E a troca era feita.

Minha avó, Guiomar, uma belíssima mistura de um português com uma índia da região de Cananéia, espírito sempre criança, nos fazia rir, lembrando uma das suas travessuras da época de 1918.

Meu avô, nesse tempo, era soldado da Força Publica do Estado de São Paulo e na época, morava com a família no bairro da Aclimação.

Estava escalado para dar serviço de policia no o Colégio Ipiranga, local de Isolamento, que não me lembro onde era e nem achei em pesquisa.

Numa de suas rondas, meu avô e outros soldados de serviços perceberam que alguém penetrou na área de isolamento sem a devida ordem. Imediatamente o invasor foi perseguido e depois de certo trabalho, foi detido pelas praças de serviço. E ai vem a grande surpresa. O invasor nada mais era do que a “Muleca” da minha avó que travestida de homem foi lá por brincadeira, criar todo o fuzuê; O que lhe custou muito caro, pois sendo a área local de isolamento, foi preciso minha avó ficar de quarentena, por 40 dias, como diz o nome da medida e isso mais por precaução médica do que por castigo.

E ela ria muito ao lembrar-se de toda essa confusão.

Ela recordava-se ainda do ano de 1924, ano da revolução, da Guerra esquecida, a guerra contra o governo do então Presidente, Artur Bernardes.

Meu avô por incrível que pareça, lutava numa trincheira situada na mesma rua do seu domicilio e de lá disparava seu canhão de 75 mm/mm contra uma fabrica na região do Bairro do Paraíso, onde se deduz que a trincheira do meu avô estava no Bairro da Aclimação que era onde ele residia na época.

E contava minha avó, que nos momentos de trégua, quando o tiroteio amainava, o que se dava por volta de 11,12horas, lá iam suas filhas ou meu pai levar uma marmita para o meu avô que não podia deixar seu posto na trincheira.

Nesse instante uma das minhas tias, a tia Lidia, fez esse comentário:

Tia Lidia – Mãe como à senhora era irresponsável em mandar nós, crianças, numa trincheira de guerra.

E minha avó retrucava.

Avó – Mas era hora de almoço, não tinha perigo algum!!

E minha tia argumentava.

Tia Lidia – Mãe, então por que não ia lá a senhora mesma???

E minha avó com um sorriso maroto respondia.

Avó – “Ocê ta é besta Sô”

E era uma gargalhada geral.

Minha mãe, infelizmente tinha noticias mais tristes dessa época, quanto ele estava com 16 anos de idade.

Ela tinha muito vivo na lembrança, um forte combate acontecido na Estação Ipiranga entre tropas revoltosas e tropas federais, durante um saque nos armazém da referida estação.

Depois tinha a noticia de que a revolução atingiria a região da Vila Seca mais-dia menos-dia, que todo o bairro seria bombardeado e que o melhor era todos fugirem enquanto havia tempo. E foi o que fizeram a maioria dos moradores.

Fugiram todos para o para o Bosque da Saúde, outros, como a família da minha mãe, foram mais alem se esconderam nas “Matas do Governo” onde hoje se localiza o Jardim Zoológico.

O Bombardeio não veio, mas para muitos foi como se tivesse vindo, não arrasou casas, propriedades mas arrasou espíritos e as mentes como a de meu avô paterno, o Hugo Agnelly que abalado por todos os acontecimento entrou (hoje sabemos) num estado depressivo tão grave e profundo veio cometer o suicídio tempos depois.

Minha mão lembrava ainda da Revolução Constitucionalista de 1932, onde meu pai como Soldado da Força Publica do Estado de São Paulo, teve participação ativa.
Mas isso fica para outras lembranças.

Autor:E.L.

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Bem, procurando por um amigo inseparável, dos idos de 1965, cheguei ao PORTAL DO IPIRANGA.

Lendo as MINHAS LEMBRANÇAS, quase cheguei às lágrimas, pois embora não morando mais no bairro, comecei a relembrar tantas e tantas coisas acontecidas no meu IPIRANGA, desde meu nascimento em 1948.

Lembro quando fiz o PRIMÁRIO no COLÉGIO JOSÉ BONIFÁCIO, tendo por 3 anos seguidos a maravilhosa professora, DONA ELEUSA.

Depois, o ginásio, uma parte no CENTRO INDEPENDÊNCIA e concluído no grande ALEXANDRE DE GUSMÃO.

Fiz também o CLÁSSICO, no mesmo colégio que hoje, muita gente nem sabe o que é isso!!!

Nessa época trabalhava na WILLYS e em seguida na FORD… quando falam hoje de minha idade, costumo dizer que trabalhei na área de RELAÇÕES INDUSTRIAIS, hoje RECURSOS HUMANOS, e fiz a seleção do pessoal para o lançamento do CORCEL.

Me orgulho de ser um IPIRANGUISTA … me recordo dos famosos bailes na CASA DA CLARA, que fez o CURSO CLÁSSICO na mesma sala que eu.

Era muito conhecido no IPIRANGA, e hoje quando ando pelas ruas do bairro, fico triste ao ver prédios e mais prédios, e não vejo mais todas aquelas pessoas, que ao passar me cumprimentavam …

Vi por várias vezes, nessas MINHAS LEMBRANÇAS, comentários do meu amigo LEONELLO TESSER, que talvez nem se lembre mais de mim, mas eu morei em um apto na Rua Agostinho Gomes, no mesmo prédio que mora ou morou seu amigo e cunhado.

Bem, finalizando, gostaria que as pessoas que me reconhecerem, entrem em contato comigo; meu nome é RENATO MANTEL PINEDA, estou morando em Indaiatuba e meu e-mail é renatomantel@terra.com.br.

Um forte abraço à toda minha família Ipiranguista.

Autor: Renato Mantel Pineda – 21/06/288

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Escolas…comecei, repeti, nao parei e venci ::

Paiê, posso ir a cavalo pra escola? Tem um pasto grande atrás da escola e muitos meninos levam seus cavalos. Depois de muito pensar veio a decisão. Não maltrate o animal, leva.

No dia seguinte, na hora de sair já com minha camisa branca e calça azul marinho, cheguei por detrás do cavalo não sabendo que ele estava dormindo e ele se espantou…foi o fim do meu ano letivo no Grupo Escolar Prof. Manoel Dias de Almeida. O coice foi de cima para baixo no meu pé e eu fiquei um bom tempo na lista dos contundidos. O que me salvou foram folhas de fumo esquentadas na chapa do fogão e depois enrolava todo o pé. Nem seqüelas deixou. Filho, não maltrate o animal…

No ano seguinte, mudamos para São Paulo, tomei um teste e comecei no segundo ano, na Quinta Escola Mista da Bela Vista na rua Aguiar de Barros. Dona Elza de Brito foi minha professora e amava sua profissão. Nos tratava como seus filhos.

Por alguma razão no próximo ano fui parar na Escola Madre Maria Eugenia no Jardim Paulista que ficava nos fundos do Colégio Assumpção, existia ate uma viela que terminava na Nove de Julho. Que bosque maravilhoso, com suas castanheiras e as araras livres, sempre voando e fazendo aquele barulhão. A gruta bem grande com suas águas rolando e a Virgem ali nos observando. Quase chorei quando, depois de muitos anos passei pelo local e lá estava um grande supermercado. O bonde 40 Jardim Paulista me levava da Asdrubal do Nascimento até a escola e era uma viagem….

Depois mudamos para a rua Batataes, bem em frente de onde entrava as mercadorias para a loja do seu Valentim, onde conheci o Abílio e o Arnaldo ainda moleques. Me lembro bem do grande pomar nos fundos da casa onde os sabiás laranjeira cantavam enquanto eu apanhava pitangas saborosas.

Mudamos outra vez para o Centro e o famoso bonde voltaria a fazer parte da minha vida. Fui para o Colégio Estadual e Escola Normal Alexandre de Gusmão na rua Bom Pastor lá nos confins do Ipiranga. No ano seguinte, já no primeiro ano ginasial mudei para o novo Alexandre de Gusmão na Agostinho Gomes esquina com rua Cisplatina. Repeti duas vezes pois o inglês não entrava na minha cabeça e a solução foi sair do Alexandre. Tenho boas lembranças do Prof. Deusdá Magalhães Mota que me incutiu na cabeça o dever de estar bem informado e nos obrigava a ler pelo menos um jornal por dia. Também do prof.Clovis Figueiredo Cerqueira que conhecia musica profundamente, guardo boas recordações.

Fui transferido para o Educandário São Leopoldo de propriedade da dona Vera, blusão vermelho com o Mickey do lado direito do peito, na Estrada do Cursino, onde tínhamos aulas de francês e me dei bem melhor. Me cansei de andar de bonde e ônibus por anos e fui parar no Madureza Santa Inês, que ficava próximo de casa e no final fomos para Taubaté prestar exames no Colégio Olegário de Barros. Quase todos passaram pois tínhamos excelentes professores no Santa.

Alguns anos mais tarde fui ao encontro do Dixie College e Southern Utah University de onde sou um alumini. That is all folks.

Autor: Nelio Nelson Gonçalves

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Já falei do Leonelo Tesser, agora ……….
Possivelmente o Nelio foi meu contemporâneo, pois da mesma forma, fiz o 1º ano do curso Clássico no Colégio Estadual e Escola Normal Alexandre de Gusmão na rua Bom Pastor, sendo que no ano seguinte, mudei para o novo Alexandre de Gusmão na Agostinho Gomes esquina com rua Cisplatina.

Lembro que naquela época, era famosa a fanfarra do Alexandre de Gusmão, e como o Nelio se referiu ao diretor professor Clóvis, grande inspirador da música, costumávamos nos referir à “fanfarra do Alexandre de Gusmão” como “O GRANDE RAY CLÓVIS E SUA FANFARRA SINFÔNICA”.

Tive a oportunidade de ler todos os comentários do MINHAS LEMBRANÇAS, e quero realçar os elogios aos Hamburgueres do Osvaldo, que posso afirmar que anos após anos estive lá me deliciando com seus lanches maravilhosos.

Lembro também daquelas esperadas missas das 11 horas, aos domingos, que iamos mais para ver a garotas do que outra coisa …

Depois das missas, iamos ao barzinho do Martins, na Rua Bom Pastor, tomar uma batida de amendoim, mais famosa do pedaço, e voltavamos para casa, pois o almoço nos esperava.

Volto a enfatizar os bailes pró formatura que faziamos todas as semanas na casa da Clara, regados a Cuba Libre, na Rua Agostinho Gomes, próximo à esquina da Rua Lima e Silva … será que ninguém vai se lembrar!!! Quero contatar todo o pessoal que curtiu esse tempo maravilhoso.

Gostaria de fazer uma sugestão, para que colocasse o email de todos que escrevem suas memórias nesse portal, ou até mesmo fotos … por que não!!!

Autor: Renato Mantel Pineda – 26/06/2008

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Bem, em outra MINHAS LEMBRANÇAS, eu disse que quando encontrei esse site, estava à procura de um amigo inseparável dos anos 60; seu nome é RENATO ANTONIO GIOVANNONI; peço por gentileza quem tiver alguma informação, favor me informar; meu email e meus telefones estão disponíveis para que entrem em contato comigo –renatomantel@terra.com.br.

Pois bem, como lembranças são lembranças, lembrei-me de mais alguns acontecimentos em minha vida… durante muito tempo morei na casa de minha avó, na Rua Costa Aguiar, 1395; era uma casa tão enorme quanto o quintal que tinha… depois os fundos do imóvel foram negociados com o Clube Cisplatina, ficando, hoje, reduzido a 3 sobrados na frente.

Houve um momento em que meus pais se mudaram para o Jabaquara, mais precisamente, próximo à Praça da Árvore.

Nas minhas idas à casa de meus pais, acabei conhecendo um grupo que nada mais era do que os NOVOS CLEVERS, composto de RENO, RINGO, FRANCIS e BETINHO. Se tornaram meus amigos, principalmente o Reno.

Um dia resolvi fazer uma festa no meu aniversário e aproveitar o salão enorme que tínhamos, mas como não conhecia muita gente do local, combinei com o Reno que eu traria meus amigos do Ipiranga e ele se incumbiria de trazer as garotas que ele conhecia!!!

Posso dizer que foi uma loucura, pois tinha tanta mulher na minha festa, que até hoje não deu para conhecer todas…

Só sei dizer que acabei trazendo o Reno para o Ipiranga, apresentei a vários amigos e amigas e ele acabou se casando com uma dessas amigas, a Sueli. Sei que moraram no Ipiranga, no fim da Rua Costa Aguiar, mas nunca mais tivemos contato. Está aí mais um casal que eu gostaria de reencontrar!!!

Até as próximas lembranças…

Renato Mantel Pineda – 19 – 3835-2733 / 9138-5576 – 08/07/2008