Lembranças IX

… Rubens, o popular “DR.RUBIS”, um dos melhores meias-direita do futebol dos anos 50, começou no C.A.Ypiranga, ainda como juvenil e de lá em 1950, como vender jogadores paulistas para o Rio de Janeiro o “cheirava mal”, o Ypiranga o vendeu para a Portuguesa Desportos que estava com uma viagem para a Europa e de lá a Portuguesa o vendeu para o Flamengo, na célebre “PONTE”, que já havia naqueles tempos… em 1954 foi convocado para a Seleção Brasileira, para a “triste” Copa do Mundo na Suiça, ficando somente na reserva…no Rio de Janeiro, do Flamengo foi para o Vasco da Gama, voltando à São Paulo no final dos anos 50, quando já estava com seus “trinta e poucos” anos, passou pela Portuguesa novamente e de fato, com quase 40 anos foi ajudar a MINHA QUERIDA PRUDENTINA, a voltar para a Divisão de Elite do futebol brasileiro…Ele nunca jogou na Espanha, a não ser pelo Flamengo ou outro clube brasileiro em excursão e faleceu em São Paulo, no fim da década de 80, ainda novo (acho que não tinha 60 anos…

Autor: Flavio Rocha – 13/07/2007

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Doze prédios antigos foram tombados no Ipiranga, fato que motivou a Revista da Folha a realizar uma matéria sobre o bairro. De maneira análoga, a leitura de diversas histórias publicadas neste site, em que paulistanos ( nascidos ou não em S. Paulo) contam suas vivências nos mais diversos bairros da cidade, me fez refletir sobre o que foi o bairro anos atrás, e como ele evolui até os dias de hoje. Poucas histórias do antigo Ipiranga chegaram até mim, que tenho 18 anos. Por óbvio, minhas lembranças são muito recentes.

As histórias antigas da família:

O pouco que sei do antigo Ipiranga (nem tanto antigo, uns 40,50 anos atrás) é o que me foi contado episódicas vezes por tios e tias mais velhos.
Um tio, que hoje reside em S. Bernardo, morou na Juntas Provisórias, antes do asfalto e muito antes do Fura Fila. Ele trabalhava até pouco tempo atrás na Linhas Corrente (que chamavam de Inglesa, uma das primeiras indústrias a se fixarem no bairro).

Época de muito trabalho, imagino eu, o que o obrigava a morar perto da fábrica, num dos muito sobrados geminados que ali haviam.

Uma história que ele sempre conta é sobre a casa em que hoje funciona a Fisk, ali na Av. D. Pedro. Conta ele que aquele conjunto de casa inglesas (aquela defronte à avenida e as demais na Rua Jorge Moreira) eram de propriedade da Linhas Corrente. Justamente a da avenida foi oferecida ao meu tio, em suaves prestações. Segundo ele, era comum a oferta de casas parceladas a funcionários da empresa. Depois de muito pensar, recusou a oferta, pois estava construindo uma casa em S. Bernardo. Até hoje ele se lamenta de ter perdido o negócio.

Já uma tia, que também trabalhava na empresa, residia na Rua Vemag, próximo a linha do trem. Conta ela sobre as freqüentes enchentes (essas eu conheço bem), em que seu pai a carregava para atravessar as ruas alagadas pelo Tamanduateí. Ela testemunhou o nascimento de Heliópolis (“três ou quatro casinhas” naquela época) e as mansões da Av. D. Pedro (que para mim sempre foram clínicas, lojas de móveis etc.) com seus vidros ricamente adornados em ar pretensamente parisiense.

A relação entre o “meu” Ipiranga e o antigo:

Após refletir sobre as antigas histórias, tento lembrar-me de pontos que conectam o antigo ao novo. Me vem a mente o Hamburguer do Seu Osvaldo. Para os não ipiranguistas, vale uma explicação: Seu Osvaldo é um senhor que possui uma lanchonete na Bom Pastor, 1659. Além de fazer, com certeza, o melhor cheese salada da cidade e quiçá do mundo, mantém os mesmos hábitos desde os anos 60. A lanchonete conserva a mesmíssima aparência física, não há telefone (muito menos entrega em casa). Apesar da simpatia, só abre ao meio-dia, ignorando a fila que se forma na calçada. Quando você leva o sanduíche para comer em casa, ele os envolve num pacote impresso com a frase: “servimos bem para servir sempre”. Em suma, tudo ali nos remete ao passado.

O atual Ipiranga:

É para mim o bairro dos novos empreendimentos (geralmente erguidos sobre terrenos de demolição; fábricas, casinhas antigas etc)
É, por força dos acontecimentos, o bairro do Fura-Fila. Ah sim, isto marcou muito minha relação com o bairro. Desde o anúncio da obra, com este nome no mínimo infeliz e aquela musiquinha de campanha política. Por anos resumiu-se a pilastras fincadas da Av. Do Estado e na Juntas provisórias. Passou o Pitta, passou a Marta e o agora denominado Expresso Tiradentes só foi concluído na gestão Kassab, numa ode ao desperdício de dinheiro público. Hoje é um símbolo até agradável do bairro, que trouxe em sua construção muito transtorno.

É ainda o bairro dos “umbigos do mundo”. Todo o trânsito pesado parece convergir em um só ponto. Ali nas imediações da Pça do Monumento:

Ricardo Jafet; Nazaré; Leais (acesso a silva bueno); Teresa Cristina (acesso a Av. do Estado), sem falar de todo o trânsito da Dom Pedro que desemboca ali.

No Complexo Viário Mackenzie (viadutos próximos ao terminal Sacomã):

Av. Tancredo Neves (dispensa comentários); Anchieta. Estrada das lágrimas, Bom Pastor (retorno); Juntas Provisórias.

É o bairro das ruas de paralelepípedo; Ricardo Daunt e Eugênio de Mello destacam-se; e das ruas em que você quase não se depara com um farol (experimente andar pela Costa Aguiar à noite até a Ld. Cockrane).

Eu como ipiranguista:

O que será tenho eu de ipiranguista? Além de colocar o Ipiranga no topo da minha lista de melhores bairros para se viver (lista esta eminentemente subjetiva) e defender o bairro daqueles que lembram detalhes que devemos esquecer (as enchentes – que não são, mas não mesmo, monopólio do Ipiranga; o trânsito – idem) acho que o que tenho de ipiranguista é um salutar e racional apego ao passado. Não ao velho, ao ultrapassado, mas ao antigo que merece ser preservado. Daí advém uma certa “neofobia”, um medo de mudar. Um medo, mas um medo prudente, por vezes meramente emocional. Convivemos com a história do país; a oficial, que se representa pelos símbolos do bairro (o museu, o monumento). Mas também com a história real de nosso povo. Esta sim o Ipiranga guarda em suas ruas. A história do povo brasileiro, também do “popolo italiano”, em suma, do povo ipiranguista. Enquanto S. Paulo constrói e reconstrói, o Ipiranguista apega-se ao antigo, ao tradicional. Isto para preservar a história real que acima me referi. Não a história dos prédios tombados, mas a história emocional da vivência. A essência que nos é apreensível pelos sentidos e não pela razão.

Uma prova do apego ao passado que, com 18 anos, assumo ter? Descobri que há um projeto na prefeitura para transformar a avenida que resido em uma “rambla”, como as de Barcelona. É, o projeto consiste na substituição das faixas centrais da Av. D. Pedro por um passeio central. Apesar da notável melhora, tendo a resistir. Afinal, aquele barulho nem atrapalha tanto assim…

Autor: Igor Nitschi – 22/06/2007

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… Bom, eu já me sinto no direito de me considerar um “ipiranguista”, tanto que eu gosto deste bairro…

Autor: Igor Nitsch – 17/12/2007

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Eu nasci no Ipiranga, e vivi até os meus 5 anos de idade na Juntas Provisórias. Quando nasci já havia asfalto, mas não havia ‘Farol’ ou melhor sinaleiro. Vi muitas colisões nos cruzamento muito antes de haver os farois (sinaleiros) Quando caia chuva pesada em São Caetano do Sul as águas desciam tão rápido que o Tamanduatei enchia rapidamente, só havia tempo de colocar as comportas na porta de entrada do sobrado, sobrado este que ainda encontra-s por lá. Mais especificamente enfrente da antiga Viscontti, do outo lado do rio. Também sou que em na Copa de 1970 os proprietários da Viscontti estariam distribuindo Panetones caso a Itália tivesse ganho a copa. Gentize essa que foi retribuída pelo ‘povinho’ que ao final do Jogo foram a frente da fábrica aprontaram a maior desordem, xingaram, jogaram coisas, segundo contam quebraram vidros.

Autor: Valdemar Nitsch Filho – 16/12/2007

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Só pra lembrar: O cine Paroquial, o até hoje imponente Visconde de Itaúna, o antes imponente Cine Samarone, as enchentes em frente a Ultragaz que me renderam bons trocados, os caminhões que vendiam Crush e Coca Cola no parque da Independência, o CDR São José e os jogos no final de semana, O C.A. Ypiranga, nossa quanta coisa boa tinha esse bairro…

Autor: Rafael Estefano Sanchez – 11/09/2007

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… SOU IPIRANGUISTA ROXO A MAIS DE 70 ANOS… ACHO QUE AS MUDANÇAS QUE VIEREM PARA MELHORAR DEVEM SER INCENTIVADAS MAS NÃO DEVEMOS DESCUIDAR DA MEMÓRIA DO BAIRRO, UMA DELAS É O FAMOSO ‘HAMBURGER’ DO OSVALDO (MEU PARTICULAR AMIGO DE MUITAS DÉCADAS), DO CLUBE C.D.R. SÃO JOSÉ NA RUA LUCAS OBES ONDE PASSEI BOA PARTE DA MINHA MOCIDADE, OS JARDINS DO MUSEU DO IPIRANGA ONDE COSTUMAVA PASSEAR COM A MINHA NAMORADA (HOJE MINHA ESPOSA) NESSA ÉPOCA HAVIA UMA GUARDA ESPECIAL SÓ PARA CUIDAR DO LOCAL E PODIAMOS CIRCULAR POR ALÍ COM ABSOLUTA SEGURANÇA E NÓS, EDUCADAMENTE, EVITAVÁMOS PISAR NO GRAMADO E JOGAR DETRITOS NOS TANQUES.- BONS TEMPOS AQUELES.

Autor: LEONELLO TESSER – 20/07/2007

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… Também nasci no Ipiranga (1950) e trabalhei por 37 anos na Linhas Corrente, hoje Coats Corrente… Hoje (19.07.2007), ao utilizar o Metrô – Estação Alto do Ipiranga, tive uma grata surpresa. Naquela Estação está exposta uma coleção maravilhosa de fotos do Ipiranga antigo, que vale a pena ser vista. Meu pai e meus tios foram torcedores fanáticos do Ypiranga (fanáticos no bom sentido), pois naqueles tempos não existiam “torcedores” estúpidos com existem hoje. Eles acompanhavam o Ypiranga em todos os jogos… existem muitas fotos do Clube Atlético Ypiranga – da sua antiga sede no Sacoman, dos bailes, etc. … Hoje, ao ver as fotos naquela estação, encontrei uma em que meu pai está. Acredite, fiquei emocionado e muito feliz. Ele era realmente um ipiranguista nato. Desde 1975 moro no bairro da Saúde, mas acredite, o Ipiranga continua e sempre continuará em meu coração….

Autor: Reinaldo Tomiatti – 19/07/2007

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… eu morei no bairro do Ipiranga de 1957 à 1963, na rua Sousa Coutinho, entre a rua Marechal Pimentel e a Estrada das Lagrimas. Fui a escola Santa Rita de Cassia, a o do Senhor Edgar da Luz e ao Gimnasio Estadual José Maria de Azevedo. Penso que jà nao devem existir… Fiz a minha comunhão na igreja São Vicente de Paulo na Via Anchieta. Meus Pais trabalharam na Jutificio Sao Francisco no Ponto Fabrica. Tinha eu 13 anos quando os meus Pais emigraram para a França. Mais embora já se passaram 44 anos o meu coração ainda esta em São Paulo….

Autora: Maria Isabel GALLARDO – 15/07/2007

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… O nome YPIRANGA, de origem índígena, quer dizer rio de águas barrentas, que penso sería o aspecto dos rios da época, daí o nome… O Clube Atlético Ypiranga que naquela época de futebol, no final dos anos 40 formava com: Osvaldo- Giancoli e Homero, Belmiro-Reinaldo e Dema, Liminha, Rubens, Silas, Bibe e Minelli e outros depois, tinha o seu “estádio” na rua Sorocabanos esquina com a Silva Bueno e deu de fato, muita “dôr de cabeça” aos chamados “grandes” de São Paulo, para onde foram diversos jogadores… a av.D.Pedro I, desde os anos 40, quando andava por aí, sempre foi igualzinha como está…

Autor: Flavio Rocha – 03/07/2007

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Eu também morei no querido bairro do Ipiranga… voltei para a Itália mas a lembrança è sempre viva – morei na Rua Bom Pastor esquina com Padre Marchetti e Cisplatina – na minha época a Rua Bom Pastor era uma rua residencial a Silva Bueno comercial – não sei agora como esta. A minha vida escolar (não muito dignitosa) foi toda no Ipiranga – isto è. S.FRANCISCO XAVIER – VICONTE DE ITAUNA – COLEGIO SAO JOSE (na Av. Nazare’ -agora não deve esta mais) IV Centenario na Rua Bom Pastor (os mais velhos talvez lembram) e Gualter Da Silva. Passei parte da minha infancia no Museu do Ipiranga e jogando bola na Rua Xavier de Almeida… ainda lembro os nomes das ruas isso significa que o Ipiranga e vivo no meu coração. Agora trabalho na antiga cidade de Genova, Itália e moro na cidade de Rapallo, na Riviera Italiana. Quando tenho um pouco de folga visito o site de São Paulo minha cidade para matar a saudade…

Autor: Giuseppe Orsini – 03/07/2007

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… O Ipiranga é o chamado bairro da colina histórica. No final doa anos 1940 e inicio dos anos 1950, O Clube Atlético Ipyranga, nascido em 1906, era um clube grande. Não era aquele que se podia ombrear ao trio de ferro da época Corinthians, São Paulo e Palmeiras, Em termos de liderança em pontos para ganhar um campeonato. Porque a política do futebol era suspeita e sempre prevaleciam aqueles chamados “grandes”. Mas no final dos anos 1940 e, inicio dos anos 50, o Ipyranga se ombreava aos grandes times. Perdia na base das mutretas que o futebol apresentava. Mesmo assim foi o terceiro colocado do campeonato paulista, nesse período. Foi um grande celeiro de craques, Do Ipyranga, saíram: Osvaldo Baliza e Barbosa (goleiros) para o Botafogo e Vasco respectivamente. Liminha, Dema e Waldemar Carabina para o Palmeiras. Homero para o Corinthians, Rubens para o Flamengo, Bibe para o São Paulo. O grande mecenas desse magnífico clube foi Carlos Jafet, se não errei o primeiro nome. Quando ele viu que dava murro em ponta de faca, vendeu todos esses jogadores e o Ipyranga, foi até onde deu. Hoje é somente um grande clube poli-esportivo de grande renome. E, que promove grandiosas festas. Quando não aluga para terceiros fazer. O Ipiranga, bairro e, o saudoso clube de futebol, que tinha o Y, no lugar do I, mora em meu coração.

Autor: MARIO LOPOMO – 27/06/2007

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… O nosso bairro é o máximo … Nasci na Silva Bueno, entre a Cisplatina e a Lucas Obes, onde hoje deve ser uma Biblioteca. Meus pais, eram primos, e se mudaram para o Ipiranga com 3 anos de idade, mais ou menos em 1918… Hoje moro no litoral da Paraíba, numa praia maravilhosa, mas prá mim a melhor cidade do mundo é São Paulo e o melhor bairro de São Paulo é o Ipiranga, com todo o respeito aos demais. Veja só, o Ipiranga é o nome de bairro mais dito no Brasil: “Ouviram do Ipiranga etc.” Quase todos os brasileiros falaram o nome do Ipiranga pelo menos uma vez.

Autor: Antonio Souto – 24/06/2007

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…eu conheço bem este bairro, desde os primórdios anos 40, quando visitava meus tios que lá moraram em uma casinha bastante modesta…eu saía do bairro de Santana (geralmente aos domingos)e depois de “tomar” 2 bondes, um de Santana até o Largo de São Bento e outro da Praça João Mendes até seu ponto final, em frente ao Instituto Padre Chico, na av.Nazareth e ainda andar mais uns 15 minutos, para lá chegar…era uma verdadeira viagem. O prédio da LINHAS CORRENTE, alí na rua Manifesto é uma obra arquitetônica, que todos deviam conhecer, pois poucos prédios fabrís, possuem aquela beleza…o conjunto de casas construídas para os operários era comum na época pelas empresas inglesas; (vide o conjunto da Vila Maria Zelia no bairro do Belenzinho)pena que seu tio “perdeu” a oportunidade…Hoje os empresários pensam só em ludibriar seus empregados, muitos deles nem depositando o “sagrado FGTS”, um verdadeiro “pé de meia” dos empregados para completar a mísera aposentadoria oferecida pelo nosso “govêrno”, os quais pensam somente em corrupção e como enganar o próximo. De fato, o bairro do Ipiranga procura resguardar o antigo, sem macular o presente. Somente lamento o “desaparecimento” de alguns antigos palacetes na rua Bom Pastor, que nada ficavam a dever aos da av.Paulista, estes construídos pelos “barões do café”, no início do século XX.Tomei nota do endereço da lanchonete do sr.Osvaldo, na rua Bom Pastor e farei questão de “saborear” o cheese salada, comentado por você.Soube que demoliram o prédio da antiga fábrica do sr.Mofarrej, na rua Tabor esquina da rua Manifesto, alí perto do Clube Ipiranga. Será que o antigo sonho dos Mofarrej, irá se realizar??? ou seja a construção de um “mini Shopping” naquele local ??? ou será para a construção de mais 3 ou 4 espigões ??? …

Autor: Flavio Rocha – 23/06/2007

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Nasci no Moinho Velho, Ipiranga, mais propriamente na Rua Dravinha, nº 9 (porque existia – e ainda existe a Rua Drava). Rua curta, mais ou menos 100 metros. Rua de terra batida, em declive não muito acentuado e que se caracterizava com a bela paisagem que existia. Ao longo da rua podia ser visto o Alto do Ipiranga, sem prédios ou construções altas. Quando chovia a rua transformava-se em barro e dificultava o tráfego de carroças. O lixo era coletado por uma carroça puxada por cinco cavalos; o leite era entregue em uma pequena carroça, fechada com uma porta na traseira e no interior algumas pedras de gelo. Correio…nem pensar. Gás, absolutamente nenhum. Os fogões eram aquecidos com carvão vegetal. Aliás, meu pai, no fundo do quintal, construiu um barracão de mais ou menos 50m² e o transformou em carvoaria e eu, sem poder reclamar, era o pequeno carvoeiro. Mas a profissão tinha lá suas vantagens. O carvoeiro necessitava de um bom banho à noite e isso somente era possível em uma banheira.

Sim, minha casa possuía uma grande banheira de ferro, água de poço, aquecida com eletricidade e o indispensável sabão de cinzas, habilmente feito pela minha querida mãe (soda cáustica, restos de sebo de carne e cinzas de carvão queimado). Era uma beleza o banho cuja água terminava totalmente negra por causa do pó do carvão. Pois bem, na frente de minha casa meu pai colocou uma pequena placa, mais ou menos com estes dizeres: Carvoaria B.B. B.B. eram as letras do nome do meu pai, Benjamin, mas, as pessoas da época, ou melhor, os moradores da rua diziam “carvoaria bem bravinha”, conotando o fato de meu pai ser muito sisudo. A rua, ao depois da segunda guerra mudou de nome e acredite quem quiser, a placa, inexplicavelmente, foi substituída por esta: RUA BRAVINHA. Até hoje não sei porque, é evidente que as alusões feitas pelos moradores é uma grande coincidência. A. Burgarelli.

Autor: Aclibes Burgarelli – 20/06/2007

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Tenho 40 anos de idade e nasci no Bairro do Ipiranga, qdo tinha meus 12 anos de idade, comecei a perceber que este bairro não era simplesmente aquele onde foi Proclamada a Independência.

É que na ânsia de vencer fui me aprofundando nas minhas pequenas possibilidades, o início de tudo foi começar a saber dos antigos moradores, quem famoso havia sido deste bairro antes de construir seu patrimônio, nem de longe eu almejava ser igual, era apenas uma questão de uma futura referência comercial. Constatei que muitas pessoas de muito sucesso e projeção foram, um dia, moradores daquelas lindas ruas.
Bairro simples mas muito charmoso, aconchegante e com muitos amigos do coração.

Tenho 09 irmãos e todos optaram por morar lá depois de casados, eu não moro mais lá pela mudança de rumo que minha vida tomou, mas conservo as lembranças de uma infância e adolescência muito felizes onde um dia eu vivi a Esperança de ser o que sou hoje, uma pessoa de boa índole, pronta para ajudar quem quer que seja, bem sucedida financeira e emocionalmente. Consegui a proeza de me sustentar desde os meus 18 anos, sem que eu precisasse ter a ajuda que infelizmente um pai gostaria de poder ter me proporcionado, mas não fez por não ter condições, gostaria que ele tivesse sabido das minhas conquistas, assim ele ficaria muito feliz de saber que o sacrifício que ele fez por sua Família deu certo.

Autora: Miriam Ávila – 18/07/2007

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Morar na Av. D. Pedro I no Ipiranga sempre foi um previlégio para mim. Até os anos 70 o tal logradouro era sinônimo de elegância, nobreza. E, de mais a mais, ficava “Às margens plácidas do Ipiranga.” cantado em prosa e verso pelo mundo a fora.

Você podia tranquilamente tomar um ônibus, ou anterior a isso um bonde para qualquer lugar da cidade. Passear pelas calçadas olhando as roseiras dos jardins das casas, ou simplesmente sair no portão e ficar olhando a vida e os carros passarem. Neste quesito se você tivesse menos de 14 anos podia ficar apostando no número final da placa do próximo fusca vermelho, se seria par ou ímpar.

Quando a noite chegava, dormíamos ouvindo a sirene das muitas fábricas da região,que marcavam o início ou fim do turno noturno dos trabalhadores da região. Na cristaleira(armário onde se guardava os copos que muitas vezes não eram de cristal) as taças e copinhos tilintavam suavemente cada vez que um bonde passava.Todos os ruídos, todos os cheiros,todos os eventos eram previsíveis.

Mas de uma hora para outra a vida começou a mudar; o progresso trouxe a velocidade dos carros e os motoristas imprudentes. Atravessar a Av. D.Pedro I passou a ser perigoso, até semáforos foram colocados. Os ruídos de freiadas e batidas passaram a fazer parte dos sons noturnos e até diurnos.

Numa noite perto das 2:00hs acordamos todos em casa com um grande estrondo. Acreditem:UM FUSCA BATEU VIOLENTAMENTE NUMA DAS VETUSTAS ARVORES DE UM CANTEIRO SUBIU NO TRONCO E FICOU PENDURADO EM SEUS GALHOS. Todos de pijamas na rua, vimos os assustados passageiros descerem do automóvel ilesos.Tenho a impressão que este acontecimento marcou o fim da era de ouro da nossa Av.D. Pedro I, hoje pichada, invadida e degradada como tantas outras.

Autora: Célia Pompilio Lefevre – 29/05/2006

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Ipiranga – Bairro da minha Adolescência e Mocidade.Catorze anos de Ipiranga (1939 a 1953). Grandes lembranças, Grandes vivências. O Ipiranga de duas etapas de minha vida: uma mais simples, mais popular, mas muito mais humana, onde conhecíamos todos e éramos conhecidos; outra mais sofisticada, um degrau a mais na escala social, mas pagando o preço do isolamento humano, onde nem sequer sabíamos o nome dos visinhos.

Bairro também de saídas e entradas de São Paulo, agora vindos do litoral e usando caminhos que se interrompiam na rua do Lavapés, onde os viajantes lavavam os pés no riacho existente, antes de entrar na área nobre da cidade.

Bairro sede de acontecimentos históricos como a proclamação da Independência do Brasil.

Bairro que começou a conhecer o progresso a partir desse acontecimento, com a construção de um marco comemorativo, mais uma escola que depois virou museu, jardins de ligação e o projeto ambicioso de uma avenida ligando dois bairros operários – Ipiranga e Brás. Só em 1922, 100 anos depois da proclamação da Independência é que o conjunto foi inaugurado, mesmo assim incompleto.

O Ipiranga de minhas lembranças se situa principalmente na rua Lucas Obes, travessa da rua Silva Bueno, por onde passava o bonde nº 20 – Fábrica, que saía da Praça da Sé em direção ao Sacomã. Vivi seu calçamento, com barros profundos, terras revolvidas, isolamento conseqüente. Mas a Lucas Obes ficou transitável. Por ela passavam os enterros a pé, em direção ao cemitério, provavelmente o de Vila Mariana. Rua da grande fábrica de juta que acordava todos os moradores 6 horas com seu apito agudo e forte. Rua da Padaria Globo, na esquina, com seus doces que povoavam os sonhos de uma menina naturalmente “gulosa”.
Trecho de lojas conhecidas de todos; Loja das Moças, da família Bebber, casa de ferragens e presentes do Sr. Wagner. Zona do cinema Dom Pedro I onde assisti já conscientemente os primeiros filmes: A Princesa da Selva, com Dorothy Lamour. Rua Silva Bueno que foi desafio para carros antigos na subida, com trilhos causadores de derrapagens.

Ipiranga que assistiu a minha formação escolar mais diferenciada, de curso ginasial e científico. Durante sete anos percorri de bonde o espaço entre a rua São Joaquim e a esquina da Silva Bueno com Lucas Obes.

Ipiranga no qual pudemos progredir passando de uma casa simples, parede e meia com a padaria, em contato com o forno e cheia de baratas, para um “sobradinho” e depois chegar à parte mais nobre do bairro, a Av. Dom Pedro I. Outro ambiente, com bondes (agora mais linhas) em um leito especial, grande leito para automóveis e mais um para trânsito local. Casas grandes, recuadas, espaçosas. Para mim, símbolo maior de status foi o visinho “castelinho” dos Bernardini, ícone social maior, mas do qual nunca cheguei a conhecer os moradores.

Avenida que testemunhou minha maior formação escolar, de onde eu saia primeiro para a Faculdade e depois para o trabalho, e para o casamento.

E novamente mudo de bairro, mudo de vida. Saio do Ipiranga agora não mais unidade social, mas parte de um casal, e vou viver em um espaço onde estou faz quase meio século – a Lapa.

Autora: Neuza Guerreiro de Carvalho – 12/12/2005

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… EU TAMBÉM MOREI POR ALGUM TEMPO NA RUA LUCAS OBES, MAIS PRECISAMENTE NO No. 473, NO QUARTEIRÃO ENTRE AS RUAS LINO COUTINHO E SILVA BUENO NO PERÍODO DE 1.949 A 1.952, NA SILVA BUENO ALÉM DOS ESTABELECIMENTOS CITADOS PELA SENHORA POSSO ACRESCENTAR AINDA A CASA LOTÉRICA, A LOJA DE TECIDOS DO MICHEL, A SERRARIA DO ALEXANDRE LENCI, O BAR SORRISO, UM SENHOR QUE LAVAVA CHAPÉUS, NA ESQUINA DA SILVA BUENO COM A LUCAS OBES NO OUTRO LADO HAVIA UM BAR E BILHARES, SEGUINDO AINDA EM DIREÇÃO AO SACOMÂ ANTES DO CINE D. PEDRO FICAVA O “BAR AZUL” E UM TERRENO ENORME ONDE HOJE ESTÁ O GRUPO ESCOLAR VISCONDE DE ITAÚNA (EU FIZ O CURSO PRIMÁRIO NESSE GRUPO QUANDO AINDA FUNCIONAVA NO PRÉDIO VELHO, AO LADO DA LOJA DO WAGNER), BONS TEMPOS AQUELES!!!…

Autor: LEONELLO TESSER – 31/08/2007

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Quando criança morava em Caraguatatuba litoral cidade do norte do estado de São Paulo, vinha para São Paulo, no bairro do Ipiranga, passar alguns dias na casa de meus avos. Emigrantes árabes que trabalhavam nas feiras livres vendendo roupas. Tenho como lembrança as ruas do bairro todas de terra, os carros, quando chovia, tinham dificuldades de trafegar. Após um tempo foram sendo construídas a infra estrutura (esgoto e canalização de águas fluviais), e logo veio o asfalto. Até hoje gosto de passar pelo bairro para recordar esse tempo, ainda tenho minha tia Odete morando lá, na mesma casa.

São Paulo é uma das poucas cidades do mundo que tem uma capacidade de se transformar arquitetonicamente em poucos anos, o que dá mais alegria de nela viver, apesar de seus riscos.

Autor: Miguel Daoud – 07/11/2005

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Moro atualmente em Caraguatatuba, mas fui criado desde os 8 anos, nesse maravilhoso bairro onde passei a minha adolescência e morei até os 30 anos, morei na rua Salvador Simões tinha lá perto o clube de malha e bocha, Estrela do \Ipiranga onde deixei muitos amigos pratiquei muito futebol, na epoca tinha tres campos, entre a rua Gama Lôbo e av. Nazareth joguei no Azes do Ipiranga no guarani e no GEPA ou seja Gremio Esportivo Pan Americano, foi dado este nome em homenagem, a Waldomiro campeão medalha de ouro na década de 60 de box mesma categoria do nosso Eder Jofre, por onde andarão meus colegas Paulinho, Miro, Djalma, os irmão Jairo e Celso, Roberto, os passeio pelo museu, o cine Maracanã com suas matines aos domingos, saudades, muito obrigado Ipiranga um bairro que sempre amei.

Autor: Antonio Orquiza Ruiz – 21/08/2007

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Fui criado no bairro alto do Ipiranga, e lá se vão 66 anos, meus passeios pelo nosso museu, vi o mesmo ser reformado, quando da comemoração do sesquicentenário.

Autor: Antonio Orquiza Ruiz – 14/08/2007

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… eu não posso falar muita coisa sobre esse bairro que aprendi a amar pois eu não conheço, mas aprendi a amá-lo por causa de uma pessoa mega especial pra mim que mora lá….

Autora: Camila – 10/01/2007

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Meu pai foi o pintor Cesar Lacanna, ipiranguista nascido em 04/10/1902 e falecido em 20/12/1982. Foi um dos primeiros proprietários de casa do loteamento do alto do Ipiranga, rua Costa Aguiar, 2200 (numeração que não existe mais). Moro ainda no ipiranga, e o bairro me lembra meu pai, minha infância e as melhores lembranças da minha vida.

Autora: Leny – 20/09/2006

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… Eu também adoro passar pelas ruas do bairro, lembrar da minha infância e das amizades que fiz e ainda conservo até hoje. São Paulo é isso. É lembrança, é saudade, é paixão.

Autora: Claudia – 16/11/2005

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Riacho do Ipiranga ::

“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas, de um povo heróico o brado retumbante…”

Todos nós conhecemos a primeira estrofe do hino mais belo do planeta, mas será que alguém sabe onde é que está a nascente do Riacho do Ipiranga?

Eu também não sabia, e sempre tive a curiosidade de conhecer a nascente.

Outro dia, de passeio pelo Jardim Botânico (Avenida Miguel Stefano, logo após o depósito do Conibra, junto onde era a Siderúrgica), percorri os jardins até uma área nova, que possui uma passarela elevada (construída em madeira e com locais para descanso e contemplação da mata). E ao final dessa passarela de mais ou menos 300 metros fui surpreendido ao ler em uma tabuleta informativa que ali, logo aos nossos pés, estava uma das principais nascentes do Riacho tão cantado em versos heróicos (onde recaem sempre a 2ª, 6ª e 10ª sílabas).

Um simples e humilde filete de água, que caberia em um cano de duas polegadas, mas de uma água pura, límpida, como a que devia correr no tempo da Independência. Essa água se mantêm limpa por apenas uns 900 metros, pois logo que atinge o canal entre as pistas da Imigrantes, recebe um verdadeiro bombardeio de esgotos químicos e domésticos, tornando-se mais um canal imundo, e tão imundo que se você notar logo ali no monumento do Ipiranga, o cavalo de Dom Pedro está empinado, como se não quisesse molhar suas patas naquelas águas enegrecidas e fedorentas.

O próprio Dom Pedro parece estar perguntando:

– Onde estão as margens plácidas que aqui existiam?

Pena que não temos uma resposta plausível para o nosso imperador, ou pelo menos uma justificativa esfarrapada, pois muito mais que poluir o Ipiranga, estamos em meio caminho de tornar o nosso planeta um ambiente perverso para a sobrevivência humana.

Será que não está na hora de imitarmos Dom Pedro, e todos nós gritarmos pelo direito de usufruir deste planeta tão lindo, e empunharmos as armas da cidadania?

Autor: Roque Vasto – 22/08/2007

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Vamos voltar no tempo, década de 50, volto às páginas do livro do tempo e lembro-me da missa das 8:00 aos domingos na igreja de São José, conduzida pelo padre Balint. Na sexta-feira santa a procissão reunia centenas de fiéis e saía por volta das 8:30 da noite e passava pelas principais ruas do bairro onde a maioria das casas enfeitavam suas janelas com flores e velas. O trânsito parava na Rua Silva Bueno e na Rua Bom Pastor e todos aguardavam pacientemente, os bares fechavam meia porta em sinal de respeito e as pessoas nas calçadas, em silêncio, tiravam o chapéu, a procissão retornava à igreja já quase à meia-noite. Fui coroinha naquele tempo e ajudei em muitas missas oficiadas pelos saudosos padres Vital, Dante, Estanislau, Vitalino e um muito idoso, o padre André. Recordo-me da cerimônia do lava-pés realizada no altar mór da igreja, das missas de réquiem quando era montada uma éça simbolizando um caixão mortuário e o padre após o término da missa descia do altar e vinha espargir a água benta. Aos sábados havia os casamentos e a igreja ficava lotada, parte pelos convidados dos noivos e parte pelas moças solteiras do bairro que iam apreciar os vestidos das noivas, era uma festa!!! Bons tempos àqueles.

Hoje a igreja já não tem a mesma freqüência, infelizmente a maioria dos jovens nem se lembra de deus, é uma pena!!!

Autor: Leonello Tesser (Nelinho) – 22/08/2007

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… EU FREQUENTEI A IGREJA S. JOSÉ, NA ÉPOCA EM QUE TRABALHEI DE CAIXA EM UM MERCADINHO QUE FICAVA DE ESQUINA COM A 2 DE JULHO/COM A LINO COUTINHO!! INCLUSIVE MEU IRMÃO LUCIOMAR SE CASOU COM A TAÍS MINHA CUNHADA NESTA IGREJA!!! TENHO MUITAS RECORDAÇOES DALÍ!!

Autora: Vera Lucia Nadal – 25/01/2008

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Em 1963, com 9 anos de idade me batizei e uma semana depois fiz primeira comunhão na paróquia de São Jose. Fazem mais de quarenta anos que não vou a esta igreja, pois me mudei da localidade. Quero muito, juntamente com minha família assistir uma missa nesta paróquia para relembrar aqueles momentos lindos em minha vida.

Autor: Manoel Oliveira da Silva – 13/10/2007

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Em 1951 lembro-me bem do catecismo com o padre Dante, da missa das 8:oo aos domingos, sem esquecer das matinês no cine “parochial”. Que tempos aqueles!

Autor: Valdir – 24/9/2007

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… Participei de vários encontros de jovens na Paróquia São José do Ipiranga. Fiz questão de batizar meus dois filhos lá. E, como moradora do bairro, não posso deixar de registrar meu enorme carinho para aquela paroquia.

Autora: Nilce – 29/8/2007

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… Fui batizado pelo bondoso Padre Dante na Igreja São José do Ipiranga em 1945.

Autor: Antonio Souto – 23/8/2007

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O Ipiranga durante muito tempo era só uma referência de passagem para mim. Mas, que passagem! Eu era bem pequeno e o ônibus, após subir a Av. do Estado, chegava ao colossal monumento, e subindo mais, aos belos jardins, contornados de balaustradas neo-clássicas, que já naquela época causavam-me profunda impressão.

Eu sentia que era coisa de outros, e distantes países, com alto grau de civilização. Passados os jardins do Museu, para mim o ônibus despencava, pelas violentas curvas da “Estrada de Santos”. Também muito bonita, com seus pousos, monumentos e cruzeiros em estilo colonial, com azulejos pintados e florões de pedra. Dizia-se que ali havia sido a casa da Marquesa de Santos,e só mais tarde vim a saber que os monumentos, muito mais recentes, eram brilhantes criações de Victor Dubugras.Temos ali o Pouso de Paranapiacaba, o da Maioridade, e muita coisa mais.

Em 1946, quando moramos por um ano na capital, lembro-me de ter ido, com os pais e tios ao magnífico museu. Descemos no monumento, e num clima de festa, subimos a alameda para os jardins do palácio. Não sem passar pela casinha onde, diz-se,foi dado o Grito de Independência.

No museu, muitas coisas eram em grande escala, e muito impressionantes. A grande escadaria cercada de estátuas de bandeirantes, com belas ânforas dos rios locais, ainda não poluidos.

Uma armadura medieval, carruagens, canhões e armas de antigamente. Muito disso ainda se encontra ali. Uma cristaleira, com dignos representantes do povo das saúvas, uma “içá”e um “bitú” vestidos, obra de índios, creio…
Subindo,o enorme quadro de Pedro Américo, estantes de vidro com os capacetes dos dragões de honra. Um mundo todo fascinante, para uma criança curiosa e impressionável.

Olhando pela sacada, os delfins do parque ainda jorravam seus esguichos de água, pelos canteiros franceses.

E uma outra coisa, de que nunca mais ouvi falar, mas eu juro que vi: pela banda esquerda de quem entra no parque, na lateral do museu, ficava o histórico hidroplano Jahu. Lembro-me dele numa depressão coberta, com sua fuselagem revestida de lona côr de vinho.

Exatamente como eu o veria, muitos anos depois, no então Museu de Aeronáutica do Ibirapuera, que hoje é a Oca.

Museu do Ipiranga,46. Belo passeio, bons tempos.

E as tão cantadas margens do Ipiranga? Já naquela época, nem sinal. Só fui apresentado a elas bem mais tarde, percorrendo a movimentada e confusa Av.Ricardo Jafet,mais conhecida como “Água Funda” em virtude delas mesmas. Pois é, ali finalmente estavam as famosas “margens plácidas”, cercadas de concessionárias de automoveis, desmanches suspeitos e moteis mais inda.

Autor: Luiz Simões Saidenberg – 19/06/2006