Museu Paulista

Também conhecido como MUSEU DO IPIRANGA e MUSEU DA INDEPENDÊNCIA

HISTÓRICO

Poucos meses após a proclamação da Independência, em 7 de setembro de 1822, surgiu a primeira proposta - seguida de inúmeras outras - de erigir um monumento à Independência do Brasil no próprio local onde ela havia sido proclamada, às margens do riacho do Ipiranga.

Por falta de verbas e de entendimentos quanto ao tipo de monumento a ser erigido, é somente após sessenta e oito anos da proclamação que a idéia se concretiza, com a inauguração do edifício-monumento, em 1890

Em 1884 é contratado, como arquiteto, o engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, que, no ano anterior, havia apresentado o projeto de um monumento-edifício para celebrar a Independência. O estilo arquitetônico adotado, o eclético, havia muito estava em curso na Europa e viria marcar, a partir do final do século XIX, a transformação arquitetônica de São Paulo. Valendo-se de uma das principais características do ecletismo - a recuperação de estilos arquitetônicos históricos - Bezzi utilizou, de forma simplificada, o modelo de palácio renascentista para projetar o monumento.

O projeto inicial previa um retângulo alongado e dois braços laterais, partindo da fachada principal, voltada para a cidade, na forma de um E. Abandonadas as alas, por razões de economia, restou o retângulo pontuado por três corpos salientes. O essencial do edifício se desenvolve em dois andares, um terceiro nas torres, além do subsolo, desaterrado posteriormente. No térreo há o Saguão de Entrada, onde estão dispostas 24 colunas. Dali parte a Escadaria Central que, em dois lances, e após um patamar, desemboca no Salão Nobre. Tanto no térreo quanto no segundo andar, corredores laterais servem a uma seqüência de salas. O edifício tem 123m de comprimento e 16m de profundidade. O corredor superior é aberto, em forma de loggia (arcos).

Chama atenção a presença abundante de elementos decorativos arquitetônicos, como ornatos sobrepostos, entablamentos completos, palmetas, janelas com tímpanos, nichos, brasões e até mesmo a imitação, ao longo das paredes em alvenaria de tijolos do térreo, de revestimento externo em arquitetura de pedra.

Durante o período de sua construção (1885-90), várias características já faziam deste edifício referência excepcional naquela pequena cidade de São Paulo, com apenas 70.000 habitantes: o modelo de palácio, a decoração neo-renascentista, o grande porte e o fato de ser um volume isolado no espaço, visível de todos os lados. Tudo isso a uma légua e meia do perímetro urbano.
Da construção do monumento encarregou-se outro italiano, Luigi Pucci, responsável pela contratação da mão-de-obra necessária, pela compra de materiais e por fazer cumprir as determinações técnicas e ornamentais do projeto do engenheiro Bezzi. A preocupação com a fidelidade fez com que Bezzi executasse uma maquete em gesso, reproduzindo os detalhes arquitetônicos e de ornamentação.A monumentalidade do edifício demandou soluções originais no encaminhamento dos trabalhos: a mão-de-obra contratada era, muito provavelmente, italiana, visto não existirem, em São Paulo, nessa época, trabalhadores familiarizados com execução de ornatos. A técnica do tijolo também constituía uma novidade; em São Paulo ainda predominavam as construções em taipa, de dois tipos: a taipa de pilão e a taipa de mão, conforme a maneira de socar o barro. Mas havia já olarias na região de São Caetano, próxima do Ipiranga, de onde vieram os tijolos do edifício.

Os primeiros jardins em torno do edifício, formados entre 1908 e 1909, foram projetados pelo paisagista belga Arsenius Puttemans e reproduzem concepções paisagísticas inspiradas nos jardins barrocos franceses, como os de Versailles. Em 1922, esses jardins foram ampliados em 1500 m2, passando a atingir o início da Av. D.Pedro I e na década de 30, sofreram novas intervenções, com o rebaixamento da área em frente à fachada principal.

A distância dificultava em muito o transporte dos materiais construtivos. Para minimizar esses problemas, foi criada a estação de trens do Ipiranga, na linha S. Paulo Railway, nas proximidades do Rio Tamanduateí. A partir dali os materiais subiam as colinas, provavelmente em carretas.
Em 1890, as obras foram dadas por encerradas, embora houvesse ainda razoável soma de tarefas por completar, como a implantação dos jardins. A inauguração foi celebrada no dia 15 de novembro daquele mesmo ano, no primeiro aniversário da República

O Museu Paulista é uma instituição científica, cultural e educacional com atuação no campo da História e cujas atividades têm, como referência permanente, um acervo. Essas atividades envolvem, portanto, a formação e ampliação de coleções (por intermédio de doações, aquisições ou coleta de campo), sua conservação física, seu estudo e documentação bem como a divulgação, seja do acervo, seja do conhecimento que ele permite gerar, através de exposições, cursos e publicações. Enquanto museu exclusivamente histórico, o Museu Paulista é especializado no estudo dos aspectos materiais da organização da sociedade brasileira segundo três linhas básicas de pesquisa: Cotidiano e Sociedade; Universo do Trabalho; História do Imaginário.
O Museu Paulista conta com um acervo de mais de 125.000 unidades, entre objetos, iconografia e documentação arquivística, do seiscentismo até meados do século XX, eixo para a compreensão da sociedade brasileira, a partir do estudo de aspectos materiais da cultura, com especial concentração na História de São Paulo. Os acervos têm sido mobilizados para a análise de problemáticas pertinentes às três linhas de pesquisa a que o Museu se dedica: Cotidiano e Sociedade; Universo do Trabalho; História do Imaginário.

O acervo de objetos do Museu Paulista compõe-se de ampla gama de artefatos - nacionais e estrangeiros - utilizados no Brasil e particularmente em São Paulo até 1950. A maioria provem do final do século XIX e da primeira metade do século XX, mas o contingente relativo ao período colonial também constitui conjunto considerável.

Na complementação dos acervos entende-se o objeto como documento e visa-se à formação de séries tipológicas e temáticas, de modo a permitir seu uso para pesquisas em torno de problemas históricos, na perspectiva dos estudos de cultura material.

Novos núcleos vêm sendo implantados, como o de brinquedos industrializados e o de ferramentas ligadas a ofícios urbanos; materiais de construção são coletados, em parte, em escavações arqueológicas.
O Museu Paulista desenvolve pesquisas arqueológicas em sítios históricos industriais, desde 1979. Freqüentemente atua em convênio com outras instituições, como o Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo, prefeituras de outras cidades em vários Estados brasileiros, além de outras unidades da USP, assim como de outras universidades.
Em 1995, durante a abertura de novas áreas no sub-solo do Museu, foi desenvolvido um programa de pesquisas arqueológicas, com produção de inventário, fotografias e desenhos técnicos da área em questão e dos materiais e instrumentos utilizados na construção do edifício, como tijolos e ferramentas, além de objetos do cotidiano do final do século XIX, como caixa de fósforos, garrafa de cerveja e resíduos alimentares, testemunhos arqueológicos do período da construção do edifício, coletados durante as prospecções.

O universo material da casa encontra nos móveis e porcelanas de aparato os conjuntos mais numerosos. Máquinas de costura, ferros de passar e utensílios vários remetem a outras dimensões da vida doméstica.

O tratamento seriado da indumentária e dos objetos de uso pessoal insere as construções de identidades individuais em práticas sociais.

Deslocamentos em espaço urbano ou rural são documentados pelos veículos, além dos petrechos para montaria.

As práticas religiosas encontram no acervo de arte sacra paulista seu núcleo mais expressivo.
Quanto às organizações públicas, uniformes e armaria documentam práticas e simbologia de diferentes corporações, assim como os equipamentos, no que diz respeito aos serviços urbanos.
Medalhística, numismática e filatelia são núcleos tradicionais da instituição.

A medalhística é o terreno das comemorações por excelência. Apesar de sua denominação remeter à valores monetários (medaglia em italiano era sinônimo de óbulo ou meio dinheiro durante a Idade Média) as medalhas se diferenciam das moedas por não terem valor liberatório, ou seja, não são instrumentos de troca. Diferente das moedas, suas características técnicas, como o metal empregado, tipos, peso e dimensões são ocasionais e arbitrárias. Elas podem ser cunhadas por instituições oficiais ou não oficiais, com os mais variados temas: acontecimentos históricos, políticos, militares e econômicos do país, entre outros, transformando-se em importantes documentos para a compreensão de uma cultura. São inúmeras as que foram cunhadas por ocasião do 4º Centenário do Descobrimento do Brasil, do 4º Centenário da Colonização do Brasil, e outros temas afins.

O acervo de medalhística pode ser dividido, basicamente, em medalhas comemorativas e condecorações. Dentre as comemorativas, merece destaque a coleção de medalhas francesas do período napoleônico.

Das medalhas condecorativas, podemos mencionar a coleção brasileira, com a Ordem Imperial da Rosa, criada por ocasião do segundo casamento de D. Pedro I, e a coleção de medalhas militares que expressam o momento da Guerra do Paraguai.

A numismática é a ciência que tem por objeto o estudo morfológico e interpretativo das moedas. A moeda foi inventada a fim de otimizar as relações de troca. Ela serve para medir ou quantificar as coisas, igualar o que é desigual. Os poderes públicos cientes dos lucros que poderiam obter com essa invenção genial, cedo monopolizaram, em seu proveito, o direito de emitir moedas.

O mesmo pode-se dizer do papel moeda, que é uma promessa escrita de pagar, ao portador e à vista, uma certa quantidade de moeda corrente no país.

Desde sua invenção, a moeda tem sido um forte instrumento de afirmação política, tanto pelo seu poder deliberatório quanto pelas mensagens que nela circulam. Essas mensagens podem ser objetivas ou subjetivas, mas é necessário apontar que o aspecto iconográfico é fundamental para compreendermos a moeda em sua totalidade. No Brasil, a desde as primeiras moedas que aqui circularam, inclusive as portuguesas, a iconografia remete aos acontecimentos de nossa história e seus personagens.

O acervo de numismática conta com coleções de 60 países, sendo a coleção Brasil a mais numerosa e representativa, juntamente com a de Portugal. No acervo brasileiro, cabe mencionar os Dobrões, a Série J da Colônia e a Série Cruzados, do Segundo Reinado. Do período republicano, há as séries comemorativas do Descobrimento do Brasil e da colonização, conhecida como Série Vicentina, entre outras.

As emissões filatélicas, por sua vez, a exemplo das moedas, tem caráter oficial. Desde a invenção de Rowland Hill, que instituiu um pedaço de papel que deveria ser colado à correspondência e que garantia o prévio pagamento de seu porte, os selos são alusivos ao país emissor. Tornam-se importantes instrumentos de propaganda, pois circulam por todo o país e pelo exterior, atuando, portanto, como um cartão de visitas. Daí, o esmero na escolha de seus motivos e na sua confecção. Atualmente, a imensa quantidade de emissões ordinárias e comemorativas tornam possíveis as coleções temáticas.

De qualquer forma, as coleções abrigadas em museus, sejam filatélicas, numismáticas, medalhísticas ou de outra natureza, somente se tornam documentos se forem apreciadas com rigor científico para a produção novos conhecimentos.
Do todo podem ser extraídos alguns conjuntos temáticos, como os relativos a Independência, Guerra do Paraguai e Revolução de 32.

Algumas coleções pessoais de porte foram doadas ao Museu Paulista ao longo de sua história. Entre elas, as do engenheiro-arquiteto Tommaso Gaudenzio Bezzi, do inventor Santos Dumont, do diplomata José Carlos de Macedo Soares e das senhoras Olga de Souza Queiroz, Carmencita Bettenfeld Julien e Prado Guimarães.

O Museu Paulista abriga um significativo conjunto de imagens que registram as diversidades e mudanças nos modos de representação da figura humana, da natureza e da cidade. O acervo de pinturas compõe-se de obras a óleo, aquarela, guache e mural, abrangendo diferentes gêneros – retratos, naturezas mortas, pinturas históricas e de cunho religioso e paisagens. Entre estas, vistas da cidade de São Paulo, do rio Tietê e das vilas e fazendas do interior e litoral paulistas.

No acervo de gravuras e desenhos, destacam-se a coleção Bernardelli, que reúne cerca de 1400 trabalhos dos irmãos Henrique e Rodolpho Bernardelli, e obras de artistas como Miguelzinho Dutra, Pedro Américo e Antonio Parreiras, José Wasth Rodrigues, Jules Martin, entre outros. O acervo de esculturas conta com estátuas, bustos, maquetes e baixos-relevos. Algumas integram a alegoria do edifício como as estátuas em mármore dos bandeirantes Antônio Raposo Tavares e Fernão Dias Paes, de Luigi Brizzollara (Saguão); a estátua em bronze de D. Pedro I, de autoria de Rodolpho Bernardelli (nicho central da Escadaria). O conjunto reúne, ainda, estatuetas que decoravam as casas da aristocracia e burguesia brasileiras dos séculos XIX e XX.

São diversas as coleções fotográficas que integram o acervo, produzidas, sobretudo, entre 1860 e meados deste século. Retratos e álbuns fotográficos amadores permitem a construção de uma História Social da Família por informar visualmente sobre ritos tais como casamento, batismo, aniversário, formatura etc. Neste caso, merece menção especial a coleção de fotografias de Militão Augusto de Azevedo, que reúne mais de 12.000 retratos produzidos entre 1862 e 1885. O acervo conta, também, com expressiva coleção de cartões postais referentes a cidades brasileiras, especialmente São Paulo. Destaca-se ainda a coleção Santos Dumont, com originais que registram as experiências aeronáuticas do inventor. Na cartografia existente no acervo predominam as plantas e mapas da cidade de São Paulo até meados deste século. O material impresso conta com os cartazes e álbuns de figurinhas referentes a movimentos políticos como a Revolução Constitucionalista de 1932, e a comemorações nacionais ou regionais, como o I Centenário da Independência do Brasil (1922), entre outros.

O Museu Paulista possui 640 metros lineares de documentos textuais, agrupados em uma centena de coleções e fundos de arquivo públicos e privados. Integra o conjunto o Arquivo Permanente do Museu (Fundo MP), no qual estão inventariados os documentos gerados pela própria instituição entre os anos 1893 e 1963, quando o Museu é incorporado à Universidade de São Paulo. Diferentes aspectos da vida política, institucional e doméstica de segmentos da sociedade brasileira, especialmente paulistana, podem ser cobertos por uma documentação que, não poucas vezes, completa o acervo de objetos e imagens. Entre muitos, destacam-se partituras de óperas do compositor Carlos Gomes; ofícios e correspondências de políticos ligados ao Movimento de Independência do país. Podem ser mencionadas também as cartas pessoais de famílias como Pacheco e Chaves, Tobias de Aguiar, Rangel Pestana, Souza Queiroz; os documentos de Tommaso Gaudenzio Bezzi, arquiteto responsável pela construção do edifício que abriga o Museu; os cadernos e notas do Barão de Ramalho; os boletins e diário de campo da Cavalaria Rio Pardo (Revolução Constitucionalista de 1932) além de documentos relacionadoas a atividades públicas e privadas de natureza as mais diversas como convites, menus, certidões, declarações, diplomas, contratos, notas, guias, procurações, requerimentos etc.

São diversas as coleções fotográficas que integram o acervo, produzidos, sobretudo, entre 1860 e meados deste século. Retratos e álbuns fotográficos amadores permitem a construção de uma História Social da Família por informar visualmente sobre ritos tais como casamento, batismo, aniversário, formatura etc. Neste caso, merece menção especial a coleção de fotografias de Militão Augusto de Azevedo, que reúne mais de 12.000 retratos produzidos entre 1862 e 1885. O acervo conta, ainda, com expressiva coleção de cartões postais referentes a cidades brasileiras, especialmente São Paulo. Destaca-se ainda a coleção Santos Dumont, com originais que registram as experiências aeronáuticas do inventor. Na cartografia existente no acervo, predominam as plantas e mapas da cidade de São Paulo até meados deste século. O material impresso conta com os cartazes, folhetos ilustrados, manuais de produtos industrializados e álbuns de figurinhas referentes a movimentos políticos como a Revolução Constitucionalista de 1932, e a comemorações nacionais ou regionais, como o I Centenário da Independência do Brasil (1922), entre outros.

Instalada no dia 07.09.1895, a Biblioteca do Museu Paulista sofreu um primeiro desmembramento em 1938, quando parte de seu acervo foi transferido para o atual Museu de Zoologia. Em 1989, a USP unificou seus acervos de Arqueologia e Etnologia, resultando em novo desmembramento. Essa longa existência possibilitou a inclusão de obras preciosas em seu acervo.

Assim, a Biblioteca do Museu Paulista adquiriu um perfil especializado na área de História, mais particularmente, no campo de estudos da Cultura Material. Como centro de apoio à pesquisa científica dentro de um museu histórico, contempla sobretudo as várias tipologias do acervo museológico - como Indumentária, Porcelanas, Fotografias, Pinturas, Mobiliário, Armas, Sociologia dos Objetos, Iconologia e Iconografia, Museologia, Conservação e Restauro, Educação em Museus, entre outros assuntos.

Em seu acervo, encontram -se 26.466 livros, 2.300 títulos de periódicos, 2.892 separatas, tendo ainda como extensão a Biblioteca do Museu Republicano "Convenção de Itu", especializada no estudo da República Brasileira, entre 1889 e 1930.

Integra o o Sistema de Bibliotecas da USP (SIBI/USP) e o SIBINet, estando disponível pelo Dedalus - Banco de Dados Bibliográficos da USP.

O Museu Paulista promove cursos, seminários e outros eventos, bem como realiza prestação de serviços à comunidade, atendendo a instituições, pesquisadores, professores, estudantes e público em geral. Presta assessoria e consultoria.

Faz a distribuição de publicações da Instituição: Anais do Museu Paulista: História e Cultura material; Cadernos de História de São Paulo e Cadernos Pedagógicos e de outros produtos. Entre estes destacam-se os Cartões Postais, os CD-Roms " O Pátio do Colégio e a fundação da cidade de São Paulo" e " Militão de Azevedo e a cidade de São Paulo" e as fitas de vídeo "São Paulo Antiga: uma encomenda da Modernidade" e "Museu Paulista da USP" (vídeo institucional).
Atualmente, as exposições do Museu Paulista estão passando por um processo de reformulação, de acordo com o Plano Geral de Exposições, estabelecido pela equipe técnico-científica da instituição. As mudanças estão se dando tanto nas linhas conceituais de História e Museologia, como na revitalização dos acervos por meio de trabalhos de conservação e restauração.
O Plano Geral define a organização dos acervos, nas três principais alas de exposição, segundo as três linhas de pesquisa às quais o Museu se dedica.

No andar térreo, a Ala Oeste aborda, sob o prisma da História do Imaginário: os Descobrimentos; as viagens no período colonial; a São Paulo das igrejas, a capital administrativa e o espaço urbano em meados do século XIX.

No andar superior, a Ala Leste, girando em torno do Universo do Trabalho: a maquete do edifício, de 1885-1890, como objeto técnico; a ligação São Paulo-Santos na "era do café"; a São Paulo do comércio na virada para o século XX; o acervo de mobiliário sob a óptica de sua confecção.

Na Ala Oeste do andar superior, aspectos de Cotidiano e Sociedade: o espaço doméstico no final do século XIX e início do XX e numa segunda parte, os anos 1920 a 1950 em São Paulo.

Além dessas áreas, estão previstas: no andar térreo, uma Galeria dedicada à instalação ou fomento de serviços públicos na cidade de São Paulo no final do século XIX (Corpo de Bombeiros, Serviço Sanitário, Iluminação etc.), uma exposição permanente sobre a modernidade na virada para o século XX, tendo, como eixo, Santos Dumont e uma área de exposições temporárias. No subsolo, exposições rotativas de acervos do Museu Paulista.

primeira publicação do Museu foi impressa em 1897 com o nome de Revista do Museu Paulista, contendo artigos de Antropologia, História, Zoologia, Botânica, entre outros e que circulou neste formato até 1939. A Revista do Museu Paulista, nova série, surgiu em 1947, voltado essencialmente para Antropologia e impresso até 1988, antes da transferência dos acervos de Etnologia e Arqueologia, em 1989.

ANAIS DO MUSEU PAULISTA

História e Cultura Material

A partir de 1922 o Museu publica os Anais do Museu Paulista, que a partir de 1993 passaram a circular em nova série, com o subtítulo História e Cultura Material. Trata-se de revista acadêmica que traz à discussão temas polêmicos e balanços historiográficos, de acordo com novas tendências da pesquisa em História, especialmente da História em museus, que se insere no campo da cultura material.

MUSEU PAULISTA, UM MONUMENTO NO IPIRANGA

História de um edifício centenário e de sua recuperação

Os cadernos da história de São Paulo estão vinculados ao Curso permanente de História de São Paulo, ministrado anualmente desde 1991, com temática específica a cada ano. O n.º 1 refere-se a "Os campos do conhecimento e o conhecimento da cidade" ; n.º 2 a "A cidade e a rua" ; n.º 3/4 a "São Paulo na virada do século. Espaços públicos e privados 1889/1930"; n.º 5 a "São Paulo: novas fontes, abordagens e temáticas".

Os cadernos pedagógicos Como Explorar o Museu Paulista, 1992; Museu Paulista: Novas Leituras, 1995(1997) são editados voltados, principalmente, para professores de 1o e 2o graus.

Boletins temáticos de referências bibliográficas são organizados pela Biblioteca do Museu Paulista.

Catálogos e livros como Museu Paulista: um monumento no Ipiranga são também produzidos coletivamente pela equipe da instituição, além daquelas obras e artigos de autoria individual de seus pesquisadores e especialistas, publicados em diferentes veículos.

A HISTÓRIA DO MUSEU PAULISTA CONTADA DE VÁRIAS MANEIRAS

História 1

O Museu Paulista da Universidade de São Paulo, mais conhecido popularmente como Museu do Ipiranga ou ainda Museu da Independência, é uma instituição responsável por manter um acervo de objetos, mobiliário e obras de arte com relevância histórica, especialmente aquelas que possuem alguma relação com a Independência do Brasil e o período histórico correspondente. A obra mais importante de seu acervo é o quadro de 1888 do artista Pedro Américo, "Independência ou Morte".

Edifício

O engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi foi contratado em 1884 para realizar o projeto de um monumento-edifício no local onde aconteceu o evento histórico da Independência do Brasil, embora já existisse esta idéia desde aquele episódio.

O edifício tem 123 metros de comprimento e 16 metros de profundidade com uma profusão de elementos decorativos e ornamentais. O estilo arquitetônico, eclético, foi baseado no de um palácio renascentista, muito rico em ornamentos e decorações. A técnica empregada foi basicamente a da alvenaria de tijolos cerâmicos, uma novidade para a época (a cidade ainda estava acostumada a construir com taipa de pilão).

As obras encerraram-se em 15 de novembro de 1890, no primeiro aniversário da República.

Cinco anos mais tarde, foi criado o Museu de Ciências Naturais, que se transformou no Museu Paulista. Em 1909, o paisagista belga Arsênio Puttemans executou os jardins ao redor do edifício.

Acervo

O Museu Paulista tem em seu acervo de mais de 125.000 artigos, entre objetos (esculturas, quadros, jóias, moedas, medalhas, móveis, documentos e utensílios de bandeirantes e índios), iconografia e documentação arquivística, do século XVI até meados do século XX, que servem para a compreensão da sociedade brasileira, com especial concentração na história de São Paulo. Os acervos têm sido mobilizados para as três linhas de pesquisa as quais o museu se dedica:

- Cotidiano e Sociedade;
- Universo do Trabalho;
- História do Imaginário.

O acervo do Museu Paulista tem sua origem em uma coleção particular reunida pelo Coronel Joaquim Sertório, que em 1890, foi adquirida pelo Conselheiro Francisco de Paula Mayrink, que a doou, juntamente com objetos da coleção Pessanha, ao Governo do Estado. Em 1891, o Presidente do Estado, Américo Brasiliense de Almeida, deu a Alberto Löefgren a incumbência de organizar esse acervo, designando-o diretor do recém-criado Museu do Estado. As coleções, ao longo dos mais de cem anos do museu, sofreram uma série de modificações com o desmembramento de parte de seus acervos e incorporações.

O acervo do museu se encontra tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN.

História 2

Desde 1823 houve várias tentativas para ser erguido um monumento comemorativo da Independência do Brasil.
Em 1825 a Câmara Municipal de São Paulo chegou a assinalar o local exato do grito da Independência, para aí ser levantado o referido monumento.

No ano de 1881 o governo provincial aprovou o projeto apresentado pelo engenheiro arquiteto italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, sendo contratado o arquiteto Luigi Pucci para a construção; as obras foram iniciadas em 1885.

O projeto completo era de um palácio no estilo Renascença italiana, em forma de "E", com belo corpo central, precedido de nobre escadaria e pórticos, e duas alas laterais.

Em 1889 estava quase pronto o edifício, que tinha 123 metros de fachada, enobrecido por vigorosa colunata e monumental escadaria.

O acervo do antigo "Museu Sertório", que pertencentencia ao Cel. Joaquim Sertório, existente em São Paulo, e foram adquiridos por Francisco de Paula Mayrinck, que a seguir fez doação ao Governo do Estado, em 1890.

Em 28 de Agosto de 1893, foi criado por lei o Museu Paulista, e o seu acervo inicial foram as coleções do antigo Museu Sertório; a mudança dessas coleções foi feita em 1894, para o Palácio-monumento.

A inauguração solene do Museu Paulista nesse novo edifício, ocorreu em 7 de setembro de 1895.

Ao longo do tempo foram acrescentados muitos remates decorativos e somente com o correr dos anos foi se completando o prédio do Museu.

Foram colocadas duas grandes estátuas de mármore, no saguão de entrada, representando os bandeirantes Antônio Raposo Tavares e Fernão Dias Paes, trabalhos do escultor italiano Luigi Brizzolara; existindo aí , como em outras salas, obras de renomados pintores e escultores. No ano de 1907 o médico Carlos Botelho, quando Secretário da Agricultura, incumbiu o paisagista Arsênio Puttemans, de ajardinar o Parque da Independência, defronte do museu, no estilo dos jardins franceses.

O Museu Paulista que hoje abriga grande acervo cultural localiza-se dentro do Parque da Independência, no bairro do Ipiranga e está aberto a visitação pública.

História 3

A Independência do Brasil, proclamada em 7 de setembro de 1822, às margens do Rio Ipiranga, permaneceu sem monumento até 1890.

Apenas em 1884 foi contratado o engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi para realizar o projeto de um monumento-edifício no bairro do Ipiranga, a quase seis quilômetros do centro, para celebrar o evento histórico protagonizado por D.Pedro I.

O estilo arquitetônico adotado foi o de um palácio renascentista, muito rico em ornamentos e decorações.

A técnica empregada foi a do tijolo, uma novidade para a época. O edifício tem 123 metros de comprimento e 16 metros de profundidade com uma profusão de elementos decorativos e ornamentais. 40 As obras encerraram-se em 15 de novembro de 1890, no primeiro aniversário da República.

Cinco anos mais tarde, foi criado o Museu de Ciências Naturais, que se transformou no Museu Paulista.

Em 1909, o paisagista belga Arsênio Puttemans executou os jardins ao redor do edifício. O inglês Archibald Forrest comentou em 1912:

"Aos domingos e feriados, o passeio favorito do povo - italianos, negros, portugueses, alemães, paulistas e ingleses - é ir de carro da Praça da Sé até o Museu do Ipiranga. A viagem ocupa cerca de meia hora, e o percurso é feito saindo-se do Largo 7 de Setembro, descendo pela Rua da Glória, com suas pequenas casas uniformes, passando pelo Matadouro, e seguindo pelas alamedas arborizadas de ambos os lados e que vão em direção aos bairros, onde os edifícios avançam em todas as direções e os operários executam suas tarefas, apesar de ser domingo. Fora da cidade, chácaras de hortaliças, ricos gramados verdes, terra vermelha, abetos e pinheiros por todos os lados, o gado pastando no prado, vilas com telhados cor-de-rosa e fábricas surgindo entre os campos verdes. A maioria dos passageiros desce para os jardins do Ipiranga, situados em um terreno com largas calçadas, que vai se elevando suavemente, marginado por ciprestes, canteiros de flores muito bem tratados e todos os tipos de arbustos".

Nos dias atuais, o Museu Paulista possui um acervo de 125 mil peças, entre objetos, iconografia e documentação, que iluminam períodos da História do Brasil do século XVII até meados do século XX, centralizadas na História de São Paulo. A biblioteca tem mais de 100 mil volumes e o Centro de Documentação Histórica, 40 mil manuscritos.

História 4

Dois concursos públicos foram abertos para a construção do Museu. E desrespeitados. A escolha do projeto foi feita, ao que tudo indica, por interferência política do Barão de Rio Branco.

A burguesia paulista financiou parte da obra, o restante veio de uma loteria instituída pelo governo.

Se há alguma coisa de que os ipiranguistas têm orgulho é do seu museu. Tanto que o chamam de Museu do Ipiranga, embora na verdade ele se chame Museu Paulista. Trata-se de uma monumental construção de 123 metros de comprimento encomendada também para homenagear a Independência, num processo que se arrastou por mais de 60 anos.

Ali estão guardados mais de 125 mil objetos e documentos que contam grande parte da história de São Paulo e do Brasil. São esculturas, quadros, louças, jóias, móveis, armas, peças religiosas, veículos, vestuário, fotos, documentos e utensílios de bandeirantes e índios distribuídos pelo prédio.

O museu guarda também a história da sua construção, para a qual foram abertos dois concursos públicos, afinal desrespeitados, pois a escolha do projeto do arquiteto italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, em 1884, acabou sendo feita ao que tudo indica por interferências políticas do Barão de Rio Branco.

Minucioso, Bezzi chegou a construir uma enorme maquete de gesso para mostrar todos os detalhes que queria ver preservados na obra, cuja execução foi entregue a outro italiano, Luigi Pucci, nascido em Firenze. Famoso em São Paulo por ser o construtor das mansões da elite paulistana enriquecida pelo café, Pucci chegou a montar seu alojamento no meio das obras.

A arquitetura remete aos palácios do período renascentista e resgata também o neoclássico trazido ao Brasil pelos portugueses. Utilizando elementos da arquitetura greco-romana da antiguidade, o neoclássico se transformou em unanimidade entre a burguesia e no estilo capaz de mostrar a influência e o poder das novas classes dominantes. A burguesia paulista, formada por políticos e empresários ligados a D.Pedro II, financiou boa parte da obra. O restante veio de uma loteria instituída pelo governo. Mesmo assim, por falta de recursos, o projeto original de Bezzi acabou não sendo respeitado: duas alas laterais, que davam à construção a forma de “U”, não saíram do papel e da maquete.

Iniciado em 1885, finalizado em 1890 (ainda que faltassem obras de acabamento) e inaugurado pelo governador Bernardino de Campos em 7 de setembro de 1895, o museu só ganhou seus jardins em 1907. Coube ao arquiteto belga Arsênio Putemans elaborar o projeto paisagístico. Inspirado nos jardins franceses, os jardins do chamado Parque da Independência, que chegaram a ocupar mais de 160 mil metros quadrados, foram em parte sacrificados para a construção do Pronto Socorro do Ipiranga, de um posto do Corpo de Bombeiros e do Museu de Zoologia.

Em 1910, quando exercia o cargo de chefe-de-obras da Prefeitura de São Paulo, o engenheiro Francisco Prestes Maia (por duas vezes prefeito da cidade) rebaixou e remodelou o ajardinamento, para permitir uma visão mais ampla do conjunto.

Já o acervo do museu teve a sua origem numa coleção particular reunida pelo coronel Joaquim Sertório, adquirida em 1890 por Francisco de Paula Mayrink, que a doou, juntamente com objetos da coleção Pessanha, ao governo do Estado.

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Localização:

Museu Paulista da USP
Parque da Independência, s/n - Ipiranga
Caixa Postal 42403
Telefone: (011) 2065-8000
FAX: (011) 2065-8051 e 6165-8054
CEP 04218-970
São Paulo - SP – BRASIL
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