Prefeitura continua obra de restauro dos Arcos do Jânio

Aprovado desde novembro de 2016, projeto tem como principal objetivo valorizar as características originais do conjunto

 

20/01/2017  15:35

De: Secretaria Especial de Comunicação

 

A Prefeitura de São Paulo segue atuando na obra de restauração dos Arcos da rua Jandaia, popularmente conhecido como Arcos do Jânio. Patrimônio histórico da cidade, o conjunto voltará às características originais, com seus tijolos de calcário se tornando visíveis na finalização do projeto.

“O processo de restauro dos Arcos do Jânio foi iniciado em novembro do ano passado, ainda na gestão anterior. E nós estamos dando andamento a este trabalho. E a estimativa é que em um prazo de seis meses todo esse trabalho esteja finalizado”, afirmou o secretário municipal de Cultura, André Sturm.

Em 2015, após ação popular movida no Ministério Público, o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) contratou arquitetos e historiadores para fazer um parecer técnico sobre a composição dos Arcos. “Com base nesse parecer, criamos um projeto de restauro, que foi encaminhado para análise do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp). Com a aprovação, em março de 2016, o DPH abriu processo de licitação para contratar a empresa que faria a obra”, afirmou a diretora do DPH, Mariana Rolim.

 

A empresa licitada para realizar o serviço foi a Corpotec. O custo total do restauro é de R$ 658.253,11. Os recursos são do Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural e Ambiental Paulistano (Funcap). As receitas do Funcap são constituídas por dotação orçamentária, doações, legados, rendimentos provenientes da aplicação de seus recursos e, principalmente, das multas aplicadas aos proprietários que descumprem as normas de proteção ao patrimônio histórico, cultural e ambiental estabelecidas na legislação vigente.

 

As obras de restauro dos Arcos preveem a limpeza de todas as superfícies; a remoção da pintura (superfície de tijolos e guarda-corpo); o registro gráfico e fotográfico do estado de conservação, com mapeamento de danos e patologias identificadas; a conservação das vedações planas (superfícies internas aos arcos), com preparação da superfície, regularização, tratamento de trincas e fissuras; e pintura em cinza, de acordo com a coloração original; a restauração do guarda-corpo; a proteção química do conjunto, com aplicação de velatura em silicato e produto antipichação e a limpeza final.

 

“A restauração dos Arcos é importante porque vai valorizar uma tecnologia construtiva que não é tão conhecida assim. É um dos primeiros tipos de construção utilizadosem São Paulo, uma tecnologia que chegou junto com os imigrantes europeus. Os tijolos utilizados na obra são de calcário, não têm a cor comum de tijolos, são mais acinzentados, exatamente por conta do tipo de material. E os Arcos em si são um registro muito importante de uma etapa de crescimento da cidade. Recuperar esse patrimônio é bastante significativo. Principalmente para valorizar essa história”, explicou a diretora do DPH.

 

Grafites


Em dezembro de 2014, a gestão municipal recebeu da subprefeitura da Sé uma solicitação de intervenção com grafites na parte interna dos Arcos. Como aquele espaço não é tombado, o Conpresp autorizou o projeto, condicionando a realização do evento a um prazo máximo de um ano.

Com a aprovação do restauro dos Arcos em março de 2016, o Conpresp também definiu que a intervenção dos grafites fosse removida junto ao restauro.

 

“Os grafites realizados nos Arcos do Jânio foram autorizados junto com toda a intervenção feita ao longo da Avenida 23 de Maio. E quando o projeto dos grafites foi aprovado, ele foi pensado como uma arte temporária, que, depois de um ano, seria retirado do local. E ele ficou mais tempo do que o previsto até. Além disso, também tem a questão da ação do tempo. Muitos já estão degradados”, explicou Mariana.

 

Sobre os Arcos
Para conter a encosta da Rua Jandaia, no bairro da Bela Vista, um muro de arrimo foi construído entre 1908 e 1913. Composto por 21 módulos, em arcos separados por pilastras, o muro preenche o desnível existente entre as ruas Assembleia, na sua base, e Jandaia, alcançando cerca de onze metros em seu ponto mais alto. 

 

A faixa de terreno compreendida entre o muro e a Rua Assembleia foi depois ocupada por sobrados, datados da década de 1930. Construídos com os fundos voltados para o “paredão da municipalidade”, os sobrados o encobriam em grande parte por décadas.

Nos anos 1960, o projeto de reformulação viária que previa a interligação das avenidas 23 de Maio, Brigadeiro Luís Antônio e a recém-aberta Radial Leste-Oeste pediu a desapropriação dessas casas da Rua Assembléia.

 

O processo foi aberto prevendo-se sua demolição. Enquanto eram efetuados os pagamentos das indenizações, no entanto, as casas foram invadidas por famílias carentes, situação que perdurou por vários anos.

 

A Prefeitura obteve a reintegração de posse somente em 1987, quando foi feita a demolição das casas e a integração da área à malha viária urbana, com a criação de um acesso entre as avenidas 23 de Maio e a Radial Leste-Oeste. Assim, foram redescobertos os famosos arcos, monumento da história da cidade de São Paulo, que ficariam conhecidos pelo nome do prefeito que realizou a demolição dos sobrados, Jânio Quadros.

 

Em 1988 foi contratada empresa para limpar a área dos antigos casarões e recuperar o muro de arrimo para sua conservação.

 

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