Vivencia futebolística do esportista LEONILDO TANGERINO

Vivencia futebolística do esportista LEONILDO TANGERINO

Leonildo Tangerino

Jornal do Porto, 29-10-1977

 

Na entrevista desta semana, estamos falando da vivencia futebolística do esportista LEONILDO TANGERINO, que embora desconhecido por muitos dos novos ferreirenses, foi grande jogador em nossa cidade, tendo jogado pelo Infantil do Porto Ferreira F. C.

 

P.- Quando garoto, onde começou a jogar futebol?

R.- Comecei a jogar futebol no infantil do Porto Ferreira F.C., que era dirigido pelo popular “Macalé”, hoje bacharel em direito, Dr. J. Lima.

P.- Está lembrado do seu primeiro jogo no juvenil do P.F.F.C., e como era formada a equipe? Contra quem jogou?

R.- Infelizmente não me lembro com quem jogamos. Recordo-me que o infantil do P.F.F.C., era uma grande equipe. E diga-se de passagem: O nosso técnico era de grande capacidade. Aprendi muito com ele.

P.- Depois de jogar no infantil do P.F.F.C., dirigido por Macalé, onde mais jogou em nossa cidade?

R.- Na época, recordo-me que foi promovido, na cidade, num campeonato interno, formando-se assim, diversos times de futebol – categoria infanto-juvenil. Joguei pelo MINAS GERAIS F. C. e, um fato curioso acontecia todas as vezes que jogávamos: No primeiro tempo, sempre ganhávamos e no final saíamos derrotados, e não ganhamos um jogo do referido campeonato.

P.- Quando se mudou para São Paulo, quantos anos tinha? Lá, continuou na pratica do futebol?

R.- Com 15 anos de idade, morando no bairro do Ipiranga, bem perto do Clube, com relacionamento, fui fazer testes de peneira (nome que se dava quando se queria tentar galgar um degrau maior, dentro da categoria). Passando na peneira, lá no Clube Atlético Ypiranga, permaneci por 6  meses.

P.- Na sua pequena estada no infantil do Clube Atlético Ypiranga, você jogou com algum garoto que se projetou no futebol?

R.- Sim. No CAY - Clube Atlético Ypiranga, conheci um garoto chamado Cássio, que no infantil deste Clube, como volante, galgou os grandes clubes, como Portuguesa Desportos, Corinthians Paulista e,hoje, excelente professor lecionando no exterior. Grande jogador e amigo.

P.- Depois do infantil do Ypiranga, você parou ou continuou?

R.-Continuei. Eu e mais alguns colegas fomos treinar no Canindé. Agradei e fiquei.

P.-Jogou muito tempo no infantil do São Paulo F.C.?

R.- Quando fui para o infantil do São Paulo, era uma época em que os Clubes estavam montando suas equipes, nas categorias: infantil e juvenil, para disputarem o campeonato da Federação Paulista de Futebol. Tive a felicidade, de após alguns treinos, ser o titular da posição, mas, aconteceu um imprevisto que eu desconhecia. Quando ia ser feita minha inscrição na Federação Paulista de Futebol, minha idade não dava mais para disputar o campeonato infantil, automaticamente, passei para o juvenil.

P.-No juvenil do São Paulo F. C., você teve oportunidade de subir para o time aspirante ou profissionais?

R.-Joguei alguns jogos, pois na minha posição tinha um colega bom de bola. Tive aí, a infelicidade, pois a Federação terminou com as disputas de campeonatos de aspirantes. Aqueles que tinham até a idade de vinte anos passou a ser juvenil. Daí em diante, nem eu, nem meus colegas tivemos outras oportunidades e tudo se tornou difícil. Na época havia excelentes jogadores, mas fomos dispensados.

P.-No juvenil do São Paulo F.C., você tinha contacto com os profissionais?

R.-Sim, tive contatos com quase todos, pois eles as vezes treinavam junto com os juvenis e lembro-me muito bem, do Rui Campos, Canhoteiro, Mario, que eram meus amigos particulares.

P.-Porque não teve oportunidade no São Paulo F. C.?

R.-Como disse a você tornou-se difícil  após a Federação, acabar com o campeonato de Aspirantes e como você vê, até hoje nunca mais. Houve campeonatos de aspirantes, e muitos jogadores na minha época foram tentar no interior de São Paulo, e outros, como eu, ficamos na várzea.

P.-Tentou outros clubes?

R.-Sim fui para o Juventus e na época seu técnico era Bekilhomine, que fora do Corinthians, fez alguns testes, fui bem mas fui chamado para o exercito, não voltei mais a treinar. No exercito joguei no campeonato interno do quartel, isso em 1954, em Quitauna.

P.-E depois do exercito você ainda tentou em outros clubes profissionais?

R.-Aí meu caro repórter, eu já tinha quase vinte anos e resolvi ficar na várzea.

P.-Jogou em alguns clubes varzeanos na época?

R.-Bom, eu junto com mais alguns colegas e muitos garotos com idade de 15 a 18 anos de idade, formamos um clube no nosso bairro, ou melhor, em nossa vila com o nome de Flor da Vila F. C.

P.-Por que este nome?

R.-Era em homenagem a garotada da vila que na maioria era muito criança e tínhamos uma grande torcida. Era na época o melhor time da nossa vila. Lembro-me que ficamos 63 partidas invictas, e ficamos mais 12 anos com o mesmo time e com um grande conjunto. Fui seu Diretor Presidente, em 4 gestões com muito êxito.

P.-Além do Flor da Vila F.C., da Vila Carioca, Bairro do Ipiranga, você jogou em alguns outros clubes varzeanos?

R.-Já nesta época eu era funcionário da Secretaria da Justiça e prestava meus serviços na Penitenciaria do Estado de São Paulo, e lá tínhamos um grande time formado só de funcionários, e, alguns jogadores que já vinham integrados nas equipes da primeira divisão, hoje é especial, Helio Vieira, que foi do Palmeiras, Walace, Magrini do Nacional antigo S.P.R. e muitos outros.

P.-Teve alegria no Futebol?

R.-Quando sai de Porto Ferreira para a Capital, realizei meu sonho vestindo a camisa do São Paulo F. C.

P.-Teve tristeza no Futebol?

R.-Sim. Quando eu estava no Juvenil do São Paulo, eu havia treinado a semana toda e no dia do jogo do Juvenil, contra o Estrela da Saúde, valido pelo campeonato da Federação Paulista de Futebol, após eu ser massageado para entrar em campo, o técnico da equipe resolveu me substituir por outro colega de outra posição, e isto me entristeceu muito, e mais tarde sofri uma contusão muito seria e tive de abandonar de vez o futebol.

P.-Que contusão séria foi essa?

R.-Num dos treinamentos do juvenil num choque com um colega de equipe fui ao solo. Fui levado ao Departamento Médico e foi constatado um desvio na coluna vertebral, com esta contusão fui internado diversas vezes para tratamento e o remédio foi abandonar o futebol de vez.

P.-Leonildo, você conheceu grandes craques na sua época em que morava aqui em Porto Ferreira?

R.-Sim, tive a felicidade de ver grandes nomes tanto na época anteriores como na minha época do infantil, do Macalé, o Porto Ferreira F.C., tinha grande jogadores como por exemplo – Mario Silva, Mario Genuario, Marianinho, Carlito, Ci Teixeira, Mafra, Nizio, Tota, Moacir Porto e outros que não me recordo no momento, além dos meus colegas, Agenor Zuzi, Antonio Rubens, Sebastião Arnoni, Sidnei Mioto, Rui Vicentini, Wilian Aires, Zézito Olivieri, Toninho Malaman, olha são muitos, me perdoem os demais de não lembrar no momento.

P.-O que você acha do futebol atual, e da sua época?

R.-O futebol atual é mais fácil, como tudo hoje, a vida é mais fácil, na minha época o futebol era mais difícil.

P.-Porque você acha que era mais difícil?

R.-Hoje com a televisão mostrando tudo, os jogadores e técnicos pode analisar os erros de corrigi-los, não acha você, antigamente quem não ia ao Estádio a um campo de futebol ficava alheio a tudo; esta é a minha opinião.

P.-O que precisa para melhorarmos o nosso Futebol atual em Porto Ferreira, que está meio parado no momento?

R.-Meu caro reportes, precisa que a municipalidade construa uma praça de esportes. O Porto Ferreira e o Palmeirinha são entidades particulares e os outros clubes varzeanos de nossa cidade vão a onde? O bom seria que a municipalidade, construísse um Campo Municipal, assim facilitaria a todos os clubes varzeanos de nossa cidade, sem depender de terceiros. Se isso acontecesse Porto Ferreira viria ganhar muito com revelações de grandes jogadores, porque é da várzea que sai grandes craques.

P.-Leonildo, depois que foi constatada a gravidade de sua contusão, você continuou a praticar futebol?

R.-Após alguns anos de tratamento no Hospital do hospital HHServidor Público do Estado, melhorei, e agora as vezes brinco com a turma da Policia Militar de nossa cidade no Grêmio da Nestlé no Futebol de salão, graças a Deus, sinto-me bem.

P.-Leonildo, deixamos as páginas do Jornal do Porto a sua disposição para sua palavra final.

R.-Não acho palavras para lhe agradecer, à você e a direção do Jornal do Porto, desejo muita prosperidade e felicito por esta iniciativa, pois você me fez reviver muita coisa de minha vida esportiva, e hoje novamente me encontrar com os meus colegas daqueles tempos que foram meus grandes amigos.

Tangerynus

 
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